sábado, 10 de março de 2012

Vicente Aleixandre, é autor deste Sábado, quase Primavera, ainda Inverno.
Vicente Aleixandre nasceu em Sevilha em 1898 e faleceu em 1984.
Através de Dámaso Alonso toma conhecimento da poesia de Ruben Dario, Juan Ramón Jimenez e Antonio Machado, facto que provoca em Vicente Aleixandre uma paixão profunda pela poesia e o afasta gradualmente da actividade de jurista.
Membro de pleno direito da Geração de 27, conhece Cernuda, Lorca e outros poetas.
Depois da guerra civil não se exilou, apesar do seu ideário anti-franquista.
Recebeu o Prémio Nobel da Literatura de 1977.
Fica esta poesia extraída da La destrucción o el amor



NOCHE SINFÓNICA
La música pone unos tristes guantes,
un velo por el rostro casi transparente,
o a veces, cuando la melodía es cálida,
se enreda en la cintura penosamente como una forma de hierro.
Acaso busca la forma de poner el corazón en la lengua,
de dar al sueño cierto sabor azul,
de modelar una mano que exactamente abarque el talle
y si es preciso nos seccione como tenues lombrices.
Las cabezas caerían sobre el césped vibrante,
donde la lengua se detiene en un dulce sabor a violines,
donde el cedro aromático canta
como perpetuos cabellos.
Los pechos por tierra tienen forma de arpa,
pero cuán mudamente ocultan su beso,
ese arpegio de agua que hacen unos labios
cuando se acercan a la corriente mientras cantan las liras.
Ese transcurrir íntimo,
la brevísima escala de las manos al rodar:
qué gravedad la suya cuando, partidas ya las muñecas,
dejan perderse su sangre como una nota tibia.
Entonces por los cuellos dulces melodías aún circulan,
hay un clamor de violas y estrellas
y una luna sin punta, roto el arco,
envía mudamente sus luces sin madera.
Qué tristeza un cuerpo deshecho de noche, qué silencio,
qué remoto gemir de inoíbles tañidos,
qué fuga de flautas blancas como el hueso
cuando la luna redonda se aleja sin oído.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Um magnífico poema de José Afonso, e que ele musicou com uma belíssima melodia: O Pastor de Bensafrim.
Deixo a poesia e o vídeo:




Ó ventos do monteÓ brisas do marA história que vou contarDum pastor FlorivalMeu irmão de BensafrimNatural rezava assimPassava ele os diasNo seu labutarE os anos do seu folgarSerras vai serras vemSeu cantar não tinha fimO pastor cantava assimÓ montes erguidosÓ prados do mar em florÓ bosques antigosTrajados de negra corVoa andorinhaVoa minha irmãNão te vás emboraVem volta amanhãDizei amigosDizei só a mimTodos só de um ladoQuem vos fez assimDizei-me mil pradosCampinas dizeiA história que não conteiSerras vai serras vemO seu mal não tinha fimO pastor cantava assimÓ montes erguidosÓ prados do mar em florÓ bosques antigosTrajados de negra corVoa andorinhaVoa minha irmãNão te vás emboraVem volta amanhãDizei amigosDizei só a mimTodos só dum ladoQuem vos fez assimSeu bem que ele viraNum rio a banharAo vê-lo vir espreitarNunca mais apareceuAo pastor de BensafrimSua dor chorava assimÓ montes erguidosÓ prados do mar em florÓ bosques antigosTrajados de negra corVoa andorinhaNão te vás emboraVem volta amanhãDizei amigosDizei só a mimTodos só dum ladoQuem vos fez assim
Deixo mais duas poesias de o Canto em mim




A palavra das rosas

Dai-me uma, duas palavras
com que escreva uma rosa no teu sorriso



Fragmento para uma poesia

Afrodite nascia da água
e uma rosa era o silêncio
futuro que Eros havia de fazer


António Eduardo Lico

Charles Baudelaire e o acaso de ser Sexta
Baudelaire nascido em 1821 e falecido em 1867, é um precursor da poesia simbolista, um teórico da arte, e em conjunto com Walt Whitman, fundador de uma abordagem moderna na poesia. A poesia que acontece depois de Baudelaire, muito lhe deve. É ele na verdade o grande fundador da tradição moderna na poesia.
Ficam duas poesias de Les Fleurs du Mal


LE VIN DES AMANTS


Aujourd’hui l’espace est splendide !
Sans mors, sans éperons, sans bride,
Partons à cheval sur le vin
Pour un ciel féerique et divin !
Comme deux anges que torture
Une implacable calenture
Dans le bleu cristal du matin
Suivons le mirage lointain !
Mollement balancés sur l’aile
Du tourbillon intelligent,
Dans un délire parallèle,
Ma sœur, côte à côte nageant,
Nous fuirons sans repos ni trêves
Vers le paradis de mes rêves !





L’ALBATROS


Souvent, pour s’amuser, les hommes d’équipage
Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers,
Qui suivent, indolents compagnons de voyage,
Le navire glissant sur les gouffres amers.
A peine les ont-ils déposés sur les planches,
Que ces rois de l’azur, maladroits et honteux,
Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches
Comme des avirons traîner à côté d’eux.
Ce voyageur ailé, comme il est gauche et veule !
Lui, naguère si beau, qu’il est comique et laid !
L’un agace son bec avec un brûle-gueule,
L’autre mime, en boitant, l’infirme qui volait !
Le Poète est semblable au prince des nuées
Qui hante la tempête et se rit de l’archer ;
Exilé sur le sol au milieu des huées,
Ses ailes de géant l’empêchent de marcher.



quinta-feira, 8 de março de 2012

Quis o acaso que no dia 8 de Março tivesse escrito esta poesia, em que exprimi como via a Mulher, no seu dia:


Poema para qualquer mulher

A vida desenhou-te
eterna efeméride no rosto,
ocultou nos teus olhos o feitiço da lua
e deu aos teus lábios
o sabor de todos os frutos


António Eduardo Lico
Mais duas poesias do Canto em mim. Como nota- escrevi o Canto em mim, entre 2007 e 2008.





De madrugada as lembranças ardem


No meu quarto estou só
e comigo ardem apenas lembranças.
o meu quarto é frio
e fica azul nas madrugadas.
A muda Lara, no seu silêncio de deusa
abraça-me com os seus cabelos.


Nas águas fitava-se Narciso

Solitário em si mesmo, por isso, belo
Narciso fitava-se nas águas.
E de Eco já não ouvia a última palavra,
mortalmente ferido de si próprio
era já a flor na memória
das palavras na pedra.


António Eduardo Lico




O  acaso quer hoje o reencontro com Holderlin. Os poemas da loucura, aqui numa tradução castelhana de Txaro Santoro y José María Álvarez.
A loucura tocou Holderlin, na sua estadia em França, no seu último emprego, e segundo as suas próprias palvras "tocado por Apolo". Em 1805 a loucura apodera-se definitivamente de Holderlin.
Morre em 1843 na casa do carpinteiro Zimmer.
Fica a Primavera, a de Holderlin:



LA PRIMAVERA
De lejanas alturas desciende el nuevo día,
Despierta de entre las sombras la mañana,
A la humanidad sonríe, engalanada y alegre,
De gozo está la humanidad suavemente penetrada.

Nueva vida desea al porvenir abrirse,
Con flores, señal de alegres días,
Cubrir parece la tierra y el gran valle,
Alejando la Primavera todo signo doloroso.