segunda-feira, 7 de maio de 2012

Mais duas poesias de Esta brevidade das palavras:





Areia da praia


Na praia ao pé do mar.
A areia molha-se na água.
Como se esperasse ser líquida.


Sorriso de pássaro

Como tu, que és pássaro.
Fugaz no teu gracioso voo.
Breve no teu sorriso.


António Eduardo Lico

Fernando Macarro Castillo  o poeta de hoje. Nascido em 1920 na região de Salamanca. Militante desde os 16 anos das Juventudes Socialistas Unificadas, esteve na frente aquando do começo da Guerra Civil de Espanha. Em Alcalá de Henares adere ao Partido Comunista de Espanha. Foi preso em Alicante e começa aí a sua longa detenção nos cárceres franquistas.  Em meados da década de 50 começa a escrever os seus primeiros poemas, sob o pseudómino de Marcos Ana - Marcos adoptado do seu pai e Ana da sua mãe. Marcos Ana foi o prisioneiro que mais anos passou nas prisões franquistas. Foi libertado em  1961, após uma lomga campanha em que se destacaram Rafael Alberti e Pablo Neruda.
Ficam alguns poemas:

Mi vida

Mi vida,
os la puedo contar en dos palabras:
Un patio.
Y un trocito de cielo
por donde a veces pasan
una nube perdida
y algún pájaro huyendo de sus alas


Autobiografia

Mi pecado es terrible;
quise llenar de estrellas
el corazón del hombre.
Por eso aquí entre rejas,
en diecinueve inviernos
perdí mis primaveras.
Preso desde mi infancia
ya muerte mi condena,
mis ojos van secando
su luz contra las piedras.
Mas no hay sombra de arcángel
vengador en mis venas:
España es sólo el grito
de mi dolor que sueña.


Mi casa y mi corazón

(sueño de libertad)
Si salgo un día a la vida
mi casa no tendrá llaves:
siempre abierta, como el mar,
el sol y el aire.

Que entren la noche y el día,
y la lluvia azul, la tarde,
el rojo pan de la aurora;
La luna, mi dulce amante.

Que la amistad no detenga
sus pasos en mis umbrales,
ni la golondrina el vuelo,
ni el amor sus labios. Nadie.

Mi casa y mi corazón
nunca cerrados: que pasen
los pájaros, los amigos,
 el sol y el aire.

domingo, 6 de maio de 2012

Mais duas poesias de Esta brevidade das palavras:



Melodia de areia


Uma melodia na areia.
A música que se eleva.
A clepsidra sempre vazia.


Tudo

O murmúrio da pedra.
O silêncio da erva.
Tudo é agora.


António Eduardo Lico

Nascido em 1920 e falecido em 2009, o uruguaio Mario Benedetti é o poeta de hoje.
Pertenceu à geração de 45, ou geração crítica.
Mario Benedetti foi poeta, ficcionista, jornalista e tem mais de 80 títulos publicados.
Sem dúvida a principal referência poética do Uruguai. Poeta do amor e do quotidiano, é a partir de 1956 que o seu nome alcança projecção nacional e internacional com a publicação do poemário Poemas de la oficina. Exilado durante 12 anos, regressa ao Uruguai em 1983.
Fica este poema:


El silencio del mar


El silencio del mar

brama un juicio infinito

más concentrado que el de un cántaro

más implacable que dos gotas


ya acerque el horizonte o nos entregue

la muerte azul de las medusas

nuestras sospechas no lo dejan


el mar escucha como un sordo

es insensible como un dios

y sobrevive a los sobrevivientes


nunca sabré que espero de él

ni que conjuro deja en mis tobillos

pero cuando estos ojos se hartan de baldosas

y esperan entre el llano y las colinas

o en calles que se cierran en más calles

entonces sí me siento náufrago y sólo el mar puede

salvarme

sábado, 5 de maio de 2012

Mais duas poesias de Esta brevidade das palavras:



A noite do rouxinol


Melodioso e secreto rouxinol canta.
Tange as invisíveis cordas da madrugada.
O silêncio floresce em música.


Eros e Afrodite



Colocada perante Amor, Afrodite cedia.
Os deuses queriam de Eros corromper o silêncio.
E havia uma rosa entre Eros e Afrodite.


António Eduardo Lico
Philip Larkin é o poeta de hoje. Nascido em Coventry em 1922 e falecido em 1985, Larkin em conjunto com outros poetas faz parte do movimento literário, precisamente designado The Movement.
Pessoalmente considero Philip Larkin como o maior poeta inglês do pós-guerra.
Fica este poema:


This be the verse


They fuck you up, your mum and dad.
They may not mean to, but they do.
They fill you with the faults they had
And add some extra, just for you.

But they were fucked up in their turn
By fools in old-style hats and coats,
Who half the time were soppy-stern
And half at one another's throats.

Man hands on misery to man.
It deepens like a coastal shelf.
Get out as early as you can,
And don't have any kids yourself.


Tradução do poema por Ruy Vasconcelos


QUE ASSIM SEJA O VERSO

Eles te fodem, teus dignos pais.
Podem dizer que não, mas remanescem.
Te legam seus defeitos pessoais
E alguns extras, só para ti, acrescem.

Mas a seu tempo foram fodidos nos zeros
Por idiotas de velhos chapéus e churras,
Que metade do tempo eram austeros
E outra metade viviam às turras.

O homem a desgraça passa ao homem.
E ela aprofunda-se como uma gamboa.
Anda, sai logo dessa, vê se some,
E não pensa que ter filhos é uma boa.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Mais duas poesias de Esta brevidade das palavras:





Orfeu mínimo

Havia Orfeu e havia música.
Os deuses habitavam a Terra.
O Olimpo ficava longe. Muito longe.


Mariposas verdes

Las mariposas heridas son verdes.
Verdes oscuras como los olivos.
Su vuelo eres ya la sombra.




António Eduardo Lico