terça-feira, 24 de julho de 2012

Hoje uma reposição do poemário O canto em mim:


Baladilla de la fuente fria que perdió la agua

En la fuente fria
me lavo las penas
y el bien que yo queria
me decia cosas buenas

fuente fria del camiñero
donde está tu agua?
Fuente clara del ayer
dáme un clavel
para prender en mi boca

Tu agua, liquido corcel
galopando con palomas
que ya no la pueden beber

Fuente fria del camiñero
donde está tu agua?
Que me arde una flor
en mi boca

En la fuente fria
me lavo las penas
y el bien que yo queria
me decia cosas buenas


António Eduardo Lico
O poeta de hoje é António Jacinto.
Nascido em Luanda em 1924 e falecido em 1991, António Jacinto foi poeta e contista. Como cintista usava o nome literário Orlando Távora.
Esteve preso no Tarrafal, foi militante do MPLA, co-fundador da União de Escritores Angolanas e ocupou cargos políticos na Angola independente, tendo sido ministro da Educação, entre outros cargos.
Fica este poema:

CARTA DE UM CONTRATADO

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que dissesse
deste anseio
de te ver
deste receio
de te perder
deste mais bem querer que sinto
deste mal indefinido que me persegue
desta saudade a que vivo todo entregue...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta de confidências íntimas,
uma carta de lembranças de ti,
de ti
dos teus lábios vermelhos como tacula
dos teus cabelos negros como dilôa
dos teus olhos doces como maboque
do teu andar de onça
e dos teus carinhos
que maiores não encontrei por aí...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que recordasse nossos tempos a capopa
nossas noites perdidas no capim
que recordasse a sombra que nos caía dos jambos
o luar que se coava das palmeiras sem fim
que recordasse a loucura
da nossa paixão
e a amargura da nossa separação...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que a não lesses sem suspirar
que a escondesses de papai Bombo
que a sonegasses a mamãe Kieza
que a relesses sem a frieza
do esquecimento
uma carta que em todo o Kilombo
outra a ela não tivesse merecimento...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que ta levasse o vento que passa
uma carta que os cajús e cafeeiros
que as hienas e palancas
que os jacarés e bagres
pudessem entender
para que o vento a perdesse no caminho
os bichos e plantas
compadecidos de nosso pungente sofrer
de canto em canto
de lamento em lamento
de farfalhar em farfalhar
te levassem puras e quentes
as palavras ardentes
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor....

Eu queria escrever-te uma carta...

Mas ah meu amor, eu não sei compreender
por que é, por que é, por que é, meu bem
que tu não sabes ler
e eu - Oh! Desespero! - não sei escrever também

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Um vídeo histórico. isto é Angola, é África. O conjunto N'gola Ritmos, amputado de alguns dos seus membros fundadores, sendo o principal, Liceu Vieira Dias, na Televisão portuguesa em 1964. canta Lurdes Van Dunen.


A poesia...ou a música...ou ambas de José Afonso:


Mais uma reposição do poemário Que de dentro não se vê:


Rosa Vermelha
(Homenagem a Rosa Luxemburgo, assassinada pelos social-democratas alemães)

Vermelha é a Rosa
e agora está ela
de vermelho tingida.
Não te queriam vermelha
nem te queriam Rosa
e te quiseram sem perfume.
De Eros recebeste o silêncio
que a rosa esconde.
Emergiste na espuma das águas,
as pétalas numa concha
e eras vermelha, como uma Rosa.


António Eduardo Lico
O poeta de hoje é Alfred de Musset.
Nascido em Paris em 1810 e falecido em 1857. Musset foi poeta, romancista e dramaturgo e sem dúvida um dos expoentes do Romantismo francês.
Fica este poema:

Tristesse


J’ai perdu ma force et ma vie

Et mes amis et ma gaieté;

J’ai perdu jusqu’à la fierté

Qui fasait croire à mon génie.


Quand j’ai connu la Verité,

J’ai cru que c’´était une amie;

Quand je l’ai comprise et sentie,

J’en était déjà dégoûté.


Et pourtant elle est éternelle,

Et ceux qui se sont passés d’elle

Ici-bas ont tout ignoré.


Dieu parle, il faut qu’on lui reponde.

- Le seul bien qui me reste au monde

Est d’avoir quelquefois pleuré.

domingo, 22 de julho de 2012

Uma reposição mais. Hoje do meu 1º poemário, Que de dentro não se vê, uma poesia escrita em inglês:



As...

As if inside your desire
all the rivers should dry.

Your rose needs the rain
from all the waters.

Your desire is the harbour
in the secret middle, drawn
on the gilded dunes of your body.

And the river, impetuous
run your winding curves
as if inside your desire
all the rivers should dry.


António Eduardo Lico