Uma poesia de Eugénio de Andrade:
Fecundou-te
Fecundou-te a vida nos pinhais.
Fecundou-te de seiva e de calor.
Alargou-te o corpo como os areais
onde o mar se espraia sem contorno e cor.
Pôs-te sonho onde havia apenas
silêncio de rosas por abrir,
e um jeito nas mãos morenas
de quem sabe que o fruto há-de surgir.
Brotou água onde tudo era secura.
Paz onde morava a solidão.
E a certeza de que a sepultura
é uma cova onde não cabe a coração.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
domingo, 28 de outubro de 2012
Recebi da poetisa Regina Ragazzi http://reginaragazzi.blogspot.co.uk/ este selo, o que muito agradeço e me honra:

Passo 2 - Registar 7 coisas quer gosto de fazer:
- Silêncio
- Leitura de poesia
- Ouvir a música de que gosto, sobretudo instrumentos de corda a solo, com especial predilecção pela guitarra portuguesa de Coimbra.
- Escrever poesia quando a inspiração assim mo permite
- Família
- Amigos
- O céu incrivelmente azul de Lisboa
10 blogs que homenageio com este selo
- Un Embrujo de Fuego -
- Portal do Inferno
- Poetas de Marte
- Amadeu Baptista
- Páginas Escritas
- Nudez Poética
- Cronisias
Luna di Primo
- Ultraversalia
- Viceverso
Canção de Embalar - José Afonso:
Canção De Embalar
Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será p'ra ti
Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu'inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer
Canção De Embalar
Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será p'ra ti
Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu'inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer
Reponho duas poesias do poemário A rosa é a via:
Casi canción
La hermosa descia al
llano
ay venia de la serrania
su pañuelo era gitano
y su cante de alegria
Donde vas rosa gitana
o eres florcita de
Sierra Morena?
De riendas es tu voz
ay se vuelve mora en la
llanura.
De tu
cante vuelan palomas
que en
Sevilla serán rosas,
ay rosas de sonidos
en el puente de Triana.
La hermosa descia al
llano
ay venia de la serrania
su pañuelo era gitano
y su cante de alegria
Uma flor na névoa
Eras névoa quando nas
manhãs
estendias, preguiçosa,
as tuas pétalas.
Entre luz e sombra,
entre noite e dia
eras fronteira
invisível, um só ponto
de névoa imprecisa e
tangível perfume
que esperava o
meio-dia.
António Eduardo Lico
Um soneto de Camões:
Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades
Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.
sábado, 27 de outubro de 2012
Um vídeo de Adriano Correia de Oliveira com um poema de António Ferreira Guedes:
Erguem-se muros em volta
Erguem-se muros em volta
do corpo quando nos damos
amor semeia a revolta
que nesse instante calamos
Semeia a revolta e o dia
cobrir-se-á de navios
há que fazer-nos ao mar
antes que sequem os rios
Secos os rios a noite
tem os caminhos fechados
Há que fazer-nos ao mar
ou ficaremos cercados
Amor semeia a revolta
antes que sequem os rios...
Erguem-se muros em volta
Erguem-se muros em volta
do corpo quando nos damos
amor semeia a revolta
que nesse instante calamos
Semeia a revolta e o dia
cobrir-se-á de navios
há que fazer-nos ao mar
antes que sequem os rios
Secos os rios a noite
tem os caminhos fechados
Há que fazer-nos ao mar
ou ficaremos cercados
Amor semeia a revolta
antes que sequem os rios...
António Ferreira Guedes
Reponho duas poesias do poemário A rosa é a via:
El ruiseñor y la rosa
El ruiseñor canta y
sus penas
se van lentas, con el
viento.
Una rosa sembraba sus
pétalos
y su perfume en el
viento
y se cogia las penas.
Cantando, el ruiseñor
hacia su rosa en el
viento.
Uma flor na névoa
Eras névoa quando nas
manhãs
estendias, preguiçosa,
as tuas pétalas.
Entre luz e sombra,
entre noite e dia
eras fronteira
invisível, um só ponto
de névoa imprecisa e
tangível perfume
que esperava o
meio-dia.
António Eduardo Lico
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