A primeira poesia musicada e cantada por Luís Cília:
terça-feira, 27 de novembro de 2012
A poesia provençal é uma das joias da Cultura Europeia.
Coloco hoje uma poesia de um dos grandes trovadores provençais e ao lado a tradução de Graça Videira Lopes:
Coloco hoje uma poesia de um dos grandes trovadores provençais e ao lado a tradução de Graça Videira Lopes:
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Reponho uma poesia do poemário Amanhecer obscuro:
Soneto da manhã obscura
Procuro da manhã o
doce orvalho
Com que possa matar a
minha sede
Que da infinita noite
procede
Como secreto porto onde
encalho
Oh gnóstica manhã
onde eu talho
O que a minha boca não
me pede
E nem o deus antigo
intercede
E faz macio o chão em
que batalho
Oh noite portentosa e
magnífica
Ardes e consomes-te
como sonho
Que cada manhã em vão
certifica
No meu canto agudo e
medonho
Que de ser vão mas
claro, dulcifica
O fresco orvalho que me
imponho
António Eduardo Lico
Uma poesia de Francisco de Quevedo:
A AMINTA, QUE SE CUBRIÓ LOS OJOS CON LA MANO
Lo que me quita en fuego, me da en nieve
La mano que tus ojos me recata;
Y no es menos rigor con el que mata,
Ni menos llamas su blancura mueve.
La vista frescos los incendios bebe,
Y volcán por las venas los dilata;
Con miedo atento a la blancura trata
El pecho amante, que la siente aleve.
Si de tus ojos el ardor tirano
Le pasas por tu mano por templarle,
Es gran piedad del corazón humano;
Mas no de ti, que puede al ocultarle,
Pues es de nieve, derretir tu mano,
Si ya tu mano no pretende helarle.
A AMINTA, QUE SE CUBRIÓ LOS OJOS CON LA MANO
Lo que me quita en fuego, me da en nieve
La mano que tus ojos me recata;
Y no es menos rigor con el que mata,
Ni menos llamas su blancura mueve.
La vista frescos los incendios bebe,
Y volcán por las venas los dilata;
Con miedo atento a la blancura trata
El pecho amante, que la siente aleve.
Si de tus ojos el ardor tirano
Le pasas por tu mano por templarle,
Es gran piedad del corazón humano;
Mas no de ti, que puede al ocultarle,
Pues es de nieve, derretir tu mano,
Si ya tu mano no pretende helarle.
domingo, 25 de novembro de 2012
Reponho uma poesia do poemário Amanhecer obscuro:
Havia um crítico...
Havia um crítico que
gostava de criticar poesia.
Digo analisar. E
analisava!
Analisava em jeito de
caixa de petri,
Dizem-me alguns que era
mais tubo de ensaio.
Não sei se era um
senhor alto, ou baixo,
se usava chapéu e se
fazia ginástica.
Se a fazia, não a
devia fazer
os críticos nunca
fazem ginástica,
com excepção dos
críticos que a fazem,
poderia dizer um
filósofo
que subitamente virasse
lógico.
Perante o poema, sim,
faz ginástica:
Fala de Lyotard, sim
esse mesmo
que foi promovido a
fenomenologista;
vejam bem, ele falava
de fenomenologia,
e nem sei como não o
promoveram
à incarnação gaulesa
de Kant:
assim, uma espécie de
Kant
perdido nos canteiros
de Versalhes
e nas alamedas das
universidades
olhando para as pernas
das jovens estudantes.
Por sorte (a de Kant),
Kant há muito morreu,
ainda seria olhado como
pós-moderno.
Estou a ver: Kant, esse
prolegómeno pós-moderno!
Depois desse Lyotard é
que chegam os exercícios pesados:
Chega Sein unt Zeit,
chega Heidegger.
Pois ele não dizia que
era herdeiro
legítimo da tradição
metafísica europeia,
e que estava
solidamente escorado no niilismo,
e até falava de
ontologia
e do esquecimento do
ser como centro de interrogação
e que a linguagem é a
casa do ser?
Se for caso disso,
remata o exercício com Baudrillard,
de caminho vai dizendo
que Platão e Aristóteles eram gregos...
Eu nunca escrevi um
poema que fosse assim:
As rosas ao meio dia são mais antigas
que as rosas às onze
horas.
Eu sei que nunca
escrevi, mas poderia ter escrito
Não escrevi, porque
não sou dado a exercícios.
Se escrevesse, iriam
trazer Lyotard, para falar
Da pós-modernidade
moderna sem modernistas,
de como a democracia
tanto deve
ao professor nazi de
filosofia
Martin Heidegger de seu
nome, substituto de Husserl
iriam trazer esse
Baudrillard, ou outros.
Melhor era usarem um
manual de jardinagem
um dos bons, que os há.
Os manuais de
jardinagem sabem falar de rosas.
Os poetas, como não
sabem falar de rosas
falam das rosas que
irão um dia existir,
se existirem!
António Eduardo Lico
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