quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Reponho duas poesias do poemário Esta brevidade das palavras:


Green Fire


Was the fire, was the heat.
Was the green of your eyes.
Was the whiteness of your tears.


El Tocaor


El tocaor rompe la guitarra.
Vuelan pájaros rojos de sus cuerdas..
Y el tocaor toca por bulerias.



António Eduardo Lico
Uma poesia de Jorge de Sena:

Eternidade

Vens a mim
pequeno como um deus,
frágil como a terra,
morto como o amor,
falso como a luz,
e eu recebo-te
para a invenção da minha grandeza,
para rodeio da minha esperança
e pálpebras de astros nus.

Nasceste agora mesmo. Vem comigo.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Reponho duas poesias do poemário Esta brevidade das palavras:


Como se o mar nos teus olhos...

Havia mar nos teus olhos.
O mar todo.
E eu, o desolado navio.


Neve e fogo 

Era neve e era pássaro.
O fogo que ardia impetuoso.
E marcava de rosas o teu corpo.

António Rduardo Lico

Uma poesia de Catarina Nunes de Almeida:

A PROSTITUTA DA RUA DA GLÓRIA

Tanges a noite sem saber que a noite
é uma cítara com cordas de ferro
onde os insectos ferem as asas.
O teu canto arranha o azul da chama
e a cidade desperta para a dança:
um labirinto de minotauros
sorvendo o odor do primeiro tango –
um ténue resquício de feno escondido na nuca.

Ainda ontem foi lua cheia no teu ventre.
Sobrou um aquário onde os cegos vêm depenicar
a caspa dos pombos.
Hoje não saias, deixa-te ficar.

Pelos corredores as fêmeas largam o pó
das florestas quentes –
ténues resquícios de feno escondidos na nuca.

Hoje não saias, deixa-te ficar.
Deixa dormir o teu sexo cansado de morrer.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Reponho duas poesias do poemário Esta brevidade das palavras:


Fuente y rosa

Era fuente.
Y era rosa.
Tu boca cerrada.

El ruiseñor, el rocío y el llanto

El ruiseñor canta en la noche.
Y la noche se llena de silencios.
En la mañana el rocío es el llanto de la noche.

António Eduardo Lico


Uma poesia de Vasco Gato:


Um dizer ainda puro

imagino que sobre nós virá um céu

de espuma e que, de sol em sol,

uma nova língua nos fará dizer

o que a poeira da nossa boca adiada

soterrou já para lá da mão possível

onde cinzentos abandonamos a flor.


dizes: põe nos meus os teus dedos

e passemos os séculos sem rosto,

apaguemos de nossas casas o barulho

do tempo que ardeu sem luz.

sim, cria comigo esse silêncio

que nos faz nus e em nós acende

o lume das árvores de fruto.


diz-me que há ainda versos por escrever,

que sobra no mundo um dizer ainda puro.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Reponho duas poesias do poemário Esta brevidade das palavras:

Fonte dos desejos

Havia uma fonte.
E havia a sede.
Havia o desejo.


Inútil

Inútil e fermosa.
A lágrima de cristal.
Cai e seca.

António Eduardo Lico