segunda-feira, 11 de março de 2013

Uma poesia de Jorge de Sena:

Bucólica e Nâo

Há sempre poetas para fazer versos à terra,
às plantas, animais, num cheiro de bucólico,
mistura de verduras podres, resinas escorrendo,
flores perfumadas, terra humedecida, e o adocicado
e acre também estrume: é sexo o que cheiram?
Amor o que respiram? As ervas que no vento
se abaixam e se entesam, e o arvoredo erecto,
de ramos balançando mas retesos,
é de si mesmos sem baixar os olhos
ao longo do seu corpo e sem tocar-se
com as mãos- que lhes recordam?
E aqueles nós peludos de musgentos
em troncos. Ou no chão buracos de formigas,
e de si mesmos, fêmeas, que lhes lembram?
É orvalho em flores ou folhas ou nos troncos,
rios e regatos murmurantes- que serão?
Acaso podem ser opacos e leitosos,
Jorrando intermitentes num agudo jacto?
que terra o amor mostra que não seja
o amor que não se abriu ou não saltou,
o amor que não foi feito ou não se deu?

domingo, 10 de março de 2013

Reponho uma poesia do poemário The sentiment of a poet:


Poets like to talk about shepherds

Give me flowers
give me wine
give me women
and I will transform worlds,
galaxies, the universe curvature,
and I will find a solution
for the Zenon paradox.

I know, as if was the fate,
I have to sing shepherds
even without a pastoral flute.

Far way, Vergilius, watches over
his shepherds, and the poets.
Maybe from an anonymous epicurean eye
shepherds will be born again, and poets
can rest in peace.

António Eduardo Lico
Uma poesia de António Maria Lisboa:

Poema H

Sei que dez anos nos separam de pedras
e raízes nos ouvidos

e ver-te, ó menina do quarto vermelho,
era ver a tua bondade, o teu olhar terno
de Borboleta no Infinito

e toda essa sucessão de pontos vermelhos no espaço
em que tu eras uma estrela que caiu
e incendiou a terra

lá longe numa fonte cheia de fogos-fátuos.

sábado, 9 de março de 2013

Reponho uma poesia do poemário The sentiment of a poet:


Long life to the Berlin Wall

Berlin Wall was a wall
with stones and cement;
now is dust and minerals
and a famous scholar swears
that Mr. Brown has a piece
between his office and the Parliament.
One day an american geographer
visited Berlin – his name J.F. Kennedy.
“Ich bin ein Berliner!” he told the crowd.
The crowd, thinking he was converting
to a grammarian, applauded.
This is the Berlin Wall history.
the one which can be stated in a poem.
All the rest is dust and minerals.

António Eduardo Lico
Uma poesia de Armindo Rodrigues:

Homem, abre os olhos e verás

Homem, abre os olhos e verás
em cada outro homem um irmão.
Homem, as paixões que te consomem
não são boas nem más.
São a tua condição.
A paz, porém, só a terás
quando o pão que os outros comem,
homem, for igual ao teu pão

sexta-feira, 8 de março de 2013

Reponho uma poesia do poemário The sentiment of a poet:


The sentiment of a poet

A poet drinks on the street
and millions of stars died
empty of their liquid fire.
Suddenly just a comet,
just one comet on the sky.

António Eduardo Lico
Uma poesia de Maria Teresa Horta:

DESPERTA-ME DE NOITE
O TEU DESEJO
NA VAGA DOS TEUS DEDOS
COM QUE VERGAS
O SONO EM QUE ME DEITO

É REDE A TUA LINGUA
EM SUA TEIA
É VICIO AS PALAVRAS
COM QUE FALAS

A TRÉGUA
A ENTREGA
O DISFARCE

E LEMBRAS OS MEUS OMBROS
DOCEMENTE
NA DOBRA DO LENÇOL QUE DESFAZES

DESPERTA-ME DE NOITE
COM O TEU CORPO
TIRAS-ME DO SONO
ONDE RESVALO

E EU POUCO A POUCO
VOU REPELINDO A NOITE
E TU DENTRO DE MIM
VAI DESCOBRINDO VALES.