Uma poesia de Adrián Pérez Castillo:
Aquel octubre
Entonces, trajo octubre las primeras
sílabas del poema, los acordes
del viento que arrastraban la penumbra
de cada noche herida por el llanto
de las hojas sin brillo.
Sangraba el sentimiento con las huellas
de las canciones concluidas,
con el silencio hirsuto del camino
que se desvanecía ante los ojos;
era densa la niebla
como el dolor en las entrañas.
Fue trazando la tinta un surco
donde los versos desnudaban
la amargura, la pena con que el hombre
sentía aquel otoño, aquel octubre
con fragmentos de hollín en las palabras.
Entonces, fue brotando el sentimiento,
con el dolor de un corazón desnudo.
sábado, 27 de abril de 2013
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Reponho uma poesia do poemário O canto em mim:
Os Faunos deixaram
os jardins
Nos jardins das cidades
não há Faunos
há flores, relvas,
árvores,
por vezes melros,
e nenhuma ninfa.
Os deuses antigos
já não gostam dos
jardins que lhes dão,
um a um, foram-se
embora
e já não há Faunos
nos jardins das cidades.
António Eduardo Lico
Uma poesia de António Franco Alexandre:
a rectidão da água; o crescimento
a rectidão da água; o crescimento
das avenidas, ao anoitecer, sob a nua
vibração dos faróis;
o laço, mesmo, das portas só
entreabertas, onde a luz
silenciosa se demora;
são memórias, decerto, de um anterior
esquecimento, uma inocente
fadiga das coisas,
como os corpos calados, abandonados
na véspera da guerra, o teu
jeito para
o desalinho branco das palavras,
altas as
asas de nuvens no clarão do céu
em vão rigor abrindo
o destinado enigma: assim
desconhecer-te cada dia mais
ausente de recados e colheitas,
em assustado bosque, em sombra
clareira,
ao risco dos rios frívolos descendo
seixos polidos, desinscritos,
imóveis movendo
a luz do dia;
a margem recortada, aonde vivem
ausentes e seguros, os luminosos
animais do inverno;
assim são na verdade os muros claros;
assim respira o tempo, a terra intensa.
a rectidão da água; o crescimento
a rectidão da água; o crescimento
das avenidas, ao anoitecer, sob a nua
vibração dos faróis;
o laço, mesmo, das portas só
entreabertas, onde a luz
silenciosa se demora;
são memórias, decerto, de um anterior
esquecimento, uma inocente
fadiga das coisas,
como os corpos calados, abandonados
na véspera da guerra, o teu
jeito para
o desalinho branco das palavras,
altas as
asas de nuvens no clarão do céu
em vão rigor abrindo
o destinado enigma: assim
desconhecer-te cada dia mais
ausente de recados e colheitas,
em assustado bosque, em sombra
clareira,
ao risco dos rios frívolos descendo
seixos polidos, desinscritos,
imóveis movendo
a luz do dia;
a margem recortada, aonde vivem
ausentes e seguros, os luminosos
animais do inverno;
assim são na verdade os muros claros;
assim respira o tempo, a terra intensa.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Faz hoje 39 anos, aconteceu o 25 de Abril. Era na época um jovem militar a cumprir o serviço militar obrigatório, e pude viver esses momentos intensos.
Saiu-me esta poesia, que integrarei no poemário Amanhecer obscuro:
Saiu-me esta poesia, que integrarei no poemário Amanhecer obscuro:
Um Abril de Abril
Em Abril, flores mil
Para explodirem
Com o orvalho das madrugadas
E pintarem a tristeza
Das cores que só as flores têm.
Georges, sabes, no meu país
Há tardes de Abril
Que parecem Agosto
E em Lisboa o Tejo
Esse eterno filho de Abril
Casa o seu azul baço
Com o fulgurante azul de céu
E ao longe formam
Uma só linha azul que marca Abril.
Georges, sabes, no meu país
Há flores que nascem antes do seu tempo
Como se quisessem
Vestir Abril de perfumes
E febril alegria
E as moças morenas
Cantam os hinos secretos
De todos os perfumes de Abril.
Sabes, Georges, no meu país
Abril só começa de madrugada
Como se quisesse nascer
do orvalho e tecido pelo
perfume das flores que no meu país
nascem antes do tempo.
Sabes Georges, no meu país
Abril só pode ser Abril.
António Eduardo Lico
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Uma poesia da poetisa moçambicana Noémia de Sousa:
Negra
Negra
Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos
quiseram cantar teus encantos
para elas só de mistérios profundos,
de delírios e feitiçarias...
Teus encantos profundos de Africa.
quiseram cantar teus encantos
para elas só de mistérios profundos,
de delírios e feitiçarias...
Teus encantos profundos de Africa.
Mas não puderam.
Em seus formais e rendilhados cantos,
ausentes de emoção e sinceridade,
quedas-te longínqua, inatingível,
virgem de contactos mais fundos.
E te mascararam de esfinge de ébano, amante sensual,
jarra etrusca, exotismo tropical,
demência, atracção, crueldade,
animalidade, magia...
e não sabemos quantas outras palavras vistosas e vazias.
Em seus formais e rendilhados cantos,
ausentes de emoção e sinceridade,
quedas-te longínqua, inatingível,
virgem de contactos mais fundos.
E te mascararam de esfinge de ébano, amante sensual,
jarra etrusca, exotismo tropical,
demência, atracção, crueldade,
animalidade, magia...
e não sabemos quantas outras palavras vistosas e vazias.
Em seus formais cantos rendilhados
foste tudo, negra...
menos tu.
foste tudo, negra...
menos tu.
E ainda bem.
Ainda bem que nos deixaram a nós,
do mesmo sangue, mesmos nervos, carne, alma,
sofrimento,
a glória única e sentida de te cantar
com emoção verdadeira e radical,
a glória comovida de te cantar, toda amassada,
moldada, vazada nesta sílaba imensa e luminosa: MÃE
Ainda bem que nos deixaram a nós,
do mesmo sangue, mesmos nervos, carne, alma,
sofrimento,
a glória única e sentida de te cantar
com emoção verdadeira e radical,
a glória comovida de te cantar, toda amassada,
moldada, vazada nesta sílaba imensa e luminosa: MÃE
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