Uma poesia de Vasco Gato:
Luar de Azul
fala-me dos arcos de céu
onde infinitos pequenos astros
se rebolam sobre a pureza
do teu rosto. fala-me dos tes olhos,
da paisagem que inventam no luar de azul
onde se adivinham os dias e se pressente
o ligeiro vibrar do novo amor em semente.
escutarei, e das tuas palavras vou tirar
outras que não são para dizer, que trazem
nos lábios o mais íntimo segredo disso que é real,
disso que ignora as paredes do olhar e em tudo
desenha o tão doce horizonte que somos em nós.
mudo ficarei suspenso da tua voz sem saber
ao certo se é verdade ou mentira, se se pode
de facto criar um rosto que nos mostre por completo,
como a pele mostra a mão, a água o beijo,
sem sber se este sangue e esperança
será suficiente para te encontrar
no rebolar dos infinitos pequenos astros.
terça-feira, 4 de junho de 2013
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Uma poesia do poemário Amanhecer obscuro:
Bem Aventuranças
Bem aventurados os bancos
que ficam com o nosso dinheiro
e nós ficamos com as dívidas.
Bem aventurada Merkel
que dela será o reino de Bismarck.
Bem aventurado Cameron
que dele será o reino das
couves de Bruxelas.
Bem aventurado Obama
que dele serão mais de um milhão
de mortos das suas guerras imperiais.
Bem aventurado Hollande
com os seus homosexuais na Nôtre Dame
e bombas no Mali..
Bem aventurada Nato
que dela serão os anjos metálicos
por sobre o céu da Líbia.
Bem aventurados todos os
bem aventurados e os
não bem aventurados
que esperam nuvens plácidas
e açucenas de carvão
nos cabelos das mulheres.
Os robots voadores de Obama
são bem aventurados
porque matam sem saber
e fazem excrecéncias nos céus
logo abaixo dos deuses
como se tangessem
as liras da Roma Imperial.
Bem aventuradas as televisões
do Império e os jornais
do Império e as rádios
do Império e os blogs do Império
que deles é o reino da mentira.
Os economistas do Império
são bem aventurados
porque transformam a miséria
do mundo em dinheiro
no bolso dos seus amos.
Bem aventurados os que
morrem de fome que deles
não se farão epitáfios
e os seus ventres inchados
voarão como balões loucos
nas festas de caridade.
Mal aventurado o poeta
que ergue lírios como
se fossem sinos a tocar a rebate
que dele só serão as noites futuras.
Bem aventuradas as bem aventuranças
que delas só serão a argila
ou o pó que dela ficar.
António Eduardo Lico
Uma poesia de Isabel Fraga:
O LAGO
Os remos afundaram-se
No olhar do lago
Levando ao longo
Das raízes líquidas
O peito estreito e fundo
Onde cabíamos
Perdi o tempo
 beira da consciência
Onde fiquei
Rocha, frágil, areia
Tocando aquele olhar
Doído e claro
Que o sol tornava
O espaço
De todos os sons
Por muitos meses
Busquei os pássaros
E os peixes
Para reconhecer
Um pouco de alma
Na imagem fria
E alongada
Que bebiam
Quando por vezes
No corpo
Do céu líquido
Se olhavam estranhos
Parecendo conhecer-se.
O LAGO
Os remos afundaram-se
No olhar do lago
Levando ao longo
Das raízes líquidas
O peito estreito e fundo
Onde cabíamos
Perdi o tempo
 beira da consciência
Onde fiquei
Rocha, frágil, areia
Tocando aquele olhar
Doído e claro
Que o sol tornava
O espaço
De todos os sons
Por muitos meses
Busquei os pássaros
E os peixes
Para reconhecer
Um pouco de alma
Na imagem fria
E alongada
Que bebiam
Quando por vezes
No corpo
Do céu líquido
Se olhavam estranhos
Parecendo conhecer-se.
domingo, 2 de junho de 2013
Reponho uma poesia do poemário O canto em mim:
Reflexão útil num dia de chuva
Eu gosto de tudo o que faço.
O que não faço, não
é aquilo que faço.
Pura Tautolgia! Dir-me-ão:
antes tautólogo
que tarólogo.
Podia ter dito tautologista;
podia ter dito tarologista.
Apenas não quis ficar sem o logos.
Não sou esteta, nem mesmo
obstetra.Poderá haver quem me pense um tetraedo:
não sou e da Geometria
apenas me interessa
a primeira letra.
A chuva cai, líquida
como convém a toda a chuva
e depois pára, sem reflectir.
António Eduardo Lico
Uma poesia de Ana Marques Gastão:
Vens de noite no sonho
Vens de noite no sonho
sem pés
entre páginas
de gasta paciência
quando a música findou
e teu sorriso se desfez
como um grão de pólen.
Vens no veneno oculto
de meus dias
no silêncio
dos meus ossos
devagar
arrastando em queda
o nosso mundo.
Vens no espectro
da angústia
na escrita
inquieta
destes versos
no luto maternal
que me devolve a ti.
A escuridão desce então
sobre o meu corpo
quando o rosto da morte
adormece na almofada.
Vens de noite no sonho
Vens de noite no sonho
sem pés
entre páginas
de gasta paciência
quando a música findou
e teu sorriso se desfez
como um grão de pólen.
Vens no veneno oculto
de meus dias
no silêncio
dos meus ossos
devagar
arrastando em queda
o nosso mundo.
Vens no espectro
da angústia
na escrita
inquieta
destes versos
no luto maternal
que me devolve a ti.
A escuridão desce então
sobre o meu corpo
quando o rosto da morte
adormece na almofada.
sábado, 1 de junho de 2013
Reponho uma poesia do poemário O canto em mim:
Canto por las cigarreras de Sevilla
La niña,
com su alma suspendida
En las
fraguas de la saeta
le pedia a
la Macarena dos lunas
Ay Sevilla
que se perdieran
tus
cigarreras. La Carmen
y su
tragedia de riendas y siedas
perdida en
las nervuras
del
Guadalquivir que corre
en todas
las varandas de Sevilla
Y todo es
solo aire y agua
y se queda
en un punto solo
la
Macarena y sus lunas
António Eduardo Lico
Uma poesia de António Maga:
Gelo
este peso gelado
da solidão,
a presença constante
de um corpo ausente
que quero morder;
afogar-lhe os olhos de lágrimas
de dor e medo
até sentir o sal do seu sangue
na minha língua.
vingar num corpo
inocente
de mulher
todas as noites
petrificadas.
o corpo parado
o olhar parado
e raiva
tanta.
eu só quero chorar
com o despudor
indecente
das mulheres do povo
nos funerais de aldeia.
eu só quero o carinho
meloso
que se dá aos cães,
eu quero um regaço de avó
e uma mão enrugada
moldando-me a cara
em gestos lentos.
só quero quebrar este gelo!
o gelo
que envenena o ar
paralisa o sangue e me
morde as entranhas numa acidez de lágrimas
castradas!
Gelo
este peso gelado
da solidão,
a presença constante
de um corpo ausente
que quero morder;
afogar-lhe os olhos de lágrimas
de dor e medo
até sentir o sal do seu sangue
na minha língua.
vingar num corpo
inocente
de mulher
todas as noites
petrificadas.
o corpo parado
o olhar parado
e raiva
tanta.
eu só quero chorar
com o despudor
indecente
das mulheres do povo
nos funerais de aldeia.
eu só quero o carinho
meloso
que se dá aos cães,
eu quero um regaço de avó
e uma mão enrugada
moldando-me a cara
em gestos lentos.
só quero quebrar este gelo!
o gelo
que envenena o ar
paralisa o sangue e me
morde as entranhas numa acidez de lágrimas
castradas!
Subscrever:
Mensagens (Atom)