quinta-feira, 4 de julho de 2013
Carlos Paredes
Uma peça musical de Carlos Paredes - António Marinheiro - feita para a peça de teatro "António Marinheiro" de Bernardo Santareno.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Amanhecer obscuro
Reponho uma poesia do poemário Amanhecer obscuro:
PPC, ou a balada de todos os bancários a que muitos
chamam políticos
PPC, seja, Pedro Passos Coelho
não usa chapéu de feltro
nem conhece a estética do canto dos
canários e não distingue
um checo de um eslovaco.
Usa um pequeno rectângulo
na lapela: via-se numa foto de jornal.
Olhando com atenção, lá está:
é a bandeira de Portugal.
De uma só vez e num gesto
a la Georges Bush, PPC pendura o
País.
PPC não sabe onde fica
o Forte de S.João Baptista de Ajudá
e pensa que Porto Seguro fica
onde fica o dito Partido Socialista.
PPC é bancário; bancário de um só sentido:
só recebe, e quer receber mais, e não pagar.
PPC aderiu a uma moda antiga:
políticos são todos bancários.
Trabalham para os banqueiros,
nem que tenham que usar na lapela,
bandeiras e fingirem que são inteligentes, diligentes
e piedosos. Não desisto de ver PPC
fazer versos ao padre Américo
e fazer lobbying pela santidade de Cavaco Silva,
também ele um devotado bancário.
PPC é contabilisticamente ininputável
e faz balancetes com talões do BPN nas horas de ócio.
PPC, oficia o seu múnus como um Cardeal clandestino
saído, não de refinados salões florentinos,
ordenado como foi na jsd, e com o secreto
sonho de ser canonizado pela troika
e venerado para todo o sempre
nos santuários que vão de Bruxelas a Berlim e a Washington.
António Eduardo Lico
Carlos Oliveira
Uma poesia de Carlos Oliveira:
Cantiga do Ódio
Cantiga do Ódio
O amor de guardar ódios
agrada ao meu coração,
se o ódio guardar o amor
de servir a servidão.
Há-de sentir o meu ódio
quem o meu ódio mereça:
ó vida, cega-me os olhos
se não cumprir a promessa.
E venha a morte depois
fria como a luz dos astros:
que nos importa morrer
se não morrermos de rastros?
agrada ao meu coração,
se o ódio guardar o amor
de servir a servidão.
Há-de sentir o meu ódio
quem o meu ódio mereça:
ó vida, cega-me os olhos
se não cumprir a promessa.
E venha a morte depois
fria como a luz dos astros:
que nos importa morrer
se não morrermos de rastros?
terça-feira, 2 de julho de 2013
Amanhecer obscuro
Reponho uma poesia do poemário Amanhecer obscuro:
Reflexão útil num dia de chuva
Eu gosto de tudo o que faço.
O que não faço, não
é aquilo que faço.
Pura Tautolgia! Dir-me-ão:
antes tautólogo
que tarólogo.
Podia ter dito tautologista;
podia ter dito tarologista.
Apenas não quis ficar sem o logos.
Não sou esteta, nem mesmo
obstetra.Poderá haver quem me pense um tetraedo:
não sou e da Geometria
apenas me interessa
a primeira letra.
A chuva cai, líquida
como convém a toda a chuva
e depois pára, sem reflectir.
António Eduardo Lico
Poesias em Mirandês
Uma poesia em Mirandês. Creio que o autor da poesia é José Almendra:
MIRANDO PAR’EL…
Surbendo la malga de caldo,
Cula mano trémula d’eidade,
Arramaba nais que surbie,
Caíesse-le la denidade.
El que fura tan baliente,
Para durar a l’eiternidade,
Alhi staba cumo pedinte!
Ajuda pedie por caridade.
Chegar a bielho ye galardon,
Mas nó desta maneira.
Belheç tamien ye solidon,
Acabar sien eira nin beira.
Mas para alguns nun ye assi
Ándan listos até morrir,
Porque l’habie de tocar a el
Tener que tanto sofrir?
Iba-se a rebuoltar?
Contra quien i porquei?
Tenie que se cunformar,
Porque esto tamien ye de lei.
Ye lei de la naturaleza,
Nada buona d’antender.
Ten que ganhar fortaleza,
Para cuntinar a padecer.
Qual será sou pensar?
Que l’eirá na eideia?
Talbeç nien el saba…
I a mi?! Nien eideia…
MIRANDO PAR’EL…
Surbendo la malga de caldo,
Cula mano trémula d’eidade,
Arramaba nais que surbie,
Caíesse-le la denidade.
El que fura tan baliente,
Para durar a l’eiternidade,
Alhi staba cumo pedinte!
Ajuda pedie por caridade.
Chegar a bielho ye galardon,
Mas nó desta maneira.
Belheç tamien ye solidon,
Acabar sien eira nin beira.
Mas para alguns nun ye assi
Ándan listos até morrir,
Porque l’habie de tocar a el
Tener que tanto sofrir?
Iba-se a rebuoltar?
Contra quien i porquei?
Tenie que se cunformar,
Porque esto tamien ye de lei.
Ye lei de la naturaleza,
Nada buona d’antender.
Ten que ganhar fortaleza,
Para cuntinar a padecer.
Qual será sou pensar?
Que l’eirá na eideia?
Talbeç nien el saba…
I a mi?! Nien eideia…
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Amanhecer obscuro
Reponho uma poesia do poemário Amanhecer obscuro:
Pior que roubar um banco é fundar um banco
Bertold Brecht
Poema concreto
Escrevo poemas que
quisera
efémeros, como o vento
que beija as flores
e levanta ondas ao mar
para logo se desfazerem
na areia da praia,
como se o mar todo se
acabasse naquele momento.
O vento quando beija as
flores
não é como um cheque,
ou uma letra:
quando se acabam, os
bancos emitem mais.
Mesmo que se lhes acabe
o dinheiro,
emitem mais. Porque eu
não posso
emitir o meu dinheiro
quando se me acaba?
Quando se me acabam as
flores, procuro por mais.
O vento quando beija as
flores, beija-as
como se nunca acabasse,
e se acabasse
o saldo não seria
negativo.
Até o Olimpo e os
belos deuses gregos
se acabaram; ninguém
se importou
em emitir mais; depois
vieram profetas
que emitiram deuses e
paraísos diferentes
Os bancos e os
banqueiros
emitem dinheiro como se
emitissem paraísos e
divindades.
Houvera quem os
roubasse
como o vento rouba das
flores
os perfumes.
António Eduardo Lico
Soneto de Camões
Um soneto de Camões:
Depois que quis Amor que eu só passasse
Quanto mal já por muitos repartiu,
Entregou-me à Fortuna, porque viu
Que não tinha mais mal que em mim mostrasse.
Depois que quis Amor que eu só passasse
Quanto mal já por muitos repartiu,
Entregou-me à Fortuna, porque viu
Que não tinha mais mal que em mim mostrasse.
Ela, porque do Amor se avantajasse
Na pena a que ele só me reduziu,
O que para ninguém se consentiu,
Para mim consentiu que se inventasse.
Eis-me aqui vou com vário som gritando,
Copioso exemplário para a gente
Que destes dois tiranos é sujeita;
Desvarios em versos concertando.
Triste quem seu descanso tanto estreita,
Que deste tão pequeno está contente!
Na pena a que ele só me reduziu,
O que para ninguém se consentiu,
Para mim consentiu que se inventasse.
Eis-me aqui vou com vário som gritando,
Copioso exemplário para a gente
Que destes dois tiranos é sujeita;
Desvarios em versos concertando.
Triste quem seu descanso tanto estreita,
Que deste tão pequeno está contente!
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