terça-feira, 23 de julho de 2013

Este rio que corre sem águas

Reponho uma poesia do poemário Este rio que corre sem águas:

Vintage Porto

Ah o vinho que corre no Douro
filosófico na sua melancolia rubra
não tem margens definidas
e corre para mares ignorados.
Rubro, como convém,
desafia químicas antigas
e gota a gota, indiferente,

tinge o rio de invisível vermelho.

António Eduardo Lico
Uma poesia de Sebastião da Gama:

Cantilena

Cortaram as asas
ao rouxinol !
Rouxinol sem asas
não pode voar.
II

Quebraram-te o bico,
rouxinol !
Rouxinol sem bico
não pode cantar.

III

Que ao menos a Noite
ninguém, rouxinol !
ta queira roubar.
Rouxinol sem Noite
não pode viver...

A poesia musicada e cantada por Francisco Fanhais:


segunda-feira, 22 de julho de 2013

A Canção de Embalar cantada por José Afonso:


Este rio que corre sem águas

Reponho uma poesia do poemário Este rio que corre sem águas:


Perfumes tangentes ao vinho

Vem de tão longe quanto os perfumes
e de tão fundo como corolas.
Abrasa-me o sangue nas veias
tinge-me os ossos de cor rubi:
vinho! Fonte de todas as flores

António Eduardo Lico
Uma poesia de José Afonso:

Canção de Embalar

Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será p'ra ti

Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar

Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor

Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu'inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer

domingo, 21 de julho de 2013

Este rio que corre sem águas

Reponho uma poesia do poemário Este rio que corre sem águas:



Junto de um rio...o obituário das palavras...

Quem ousa calar os deuses
colocando-lhe na boca
palavras que não sabem?
Nadando rente à margem
o peixe, nem sabe
que existem palavras líquidas
que secam lábios
quando os percorrem.
Peixes e deuses
ignoram palavras;
mudos e perdidos
em líquidas moradas
vivem sós, sem esperar
uma só e desoladora
palavra.

António Eduardo Lico