Fado Falado por João Villaret (1913-1961), actor e declamador:
quarta-feira, 24 de julho de 2013
terça-feira, 23 de julho de 2013
Este rio que corre sem águas
Reponho uma poesia do poemário Este rio que corre sem águas:
Ah o vinho que corre no Douro
Vintage Porto
Ah o vinho que corre no Douro
filosófico na sua melancolia
rubra
não tem margens definidas
e corre para mares ignorados.
Rubro, como convém,
desafia químicas antigas
e gota a gota, indiferente,
tinge o rio de invisível vermelho.
António Eduardo Lico
Uma poesia de Sebastião da Gama:
Cantilena
Cortaram as asas
ao rouxinol !
Rouxinol sem asas
não pode voar.
II
Quebraram-te o bico,
rouxinol !
Rouxinol sem bico
não pode cantar.
III
Que ao menos a Noite
ninguém, rouxinol !
ta queira roubar.
Rouxinol sem Noite
não pode viver...
Cantilena
Cortaram as asas
ao rouxinol !
Rouxinol sem asas
não pode voar.
II
Quebraram-te o bico,
rouxinol !
Rouxinol sem bico
não pode cantar.
III
Que ao menos a Noite
ninguém, rouxinol !
ta queira roubar.
Rouxinol sem Noite
não pode viver...
A poesia musicada e cantada por Francisco Fanhais:
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Este rio que corre sem águas
Reponho uma poesia do poemário Este rio que corre sem águas:
Perfumes tangentes ao vinho
Vem de tão longe
quanto os perfumes
e de tão fundo como
corolas.
Abrasa-me o sangue nas
veias
tinge-me os ossos de
cor rubi:
vinho! Fonte de todas
as flores
António Eduardo Lico
Uma poesia de José Afonso:
Canção de Embalar
Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será p'ra ti
Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu'inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer
Canção de Embalar
Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será p'ra ti
Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu'inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer
domingo, 21 de julho de 2013
Este rio que corre sem águas
Reponho uma poesia do poemário Este rio que corre sem águas:
Junto de um rio...o
obituário das palavras...
Quem ousa calar os
deuses
colocando-lhe na boca
palavras que não
sabem?
Nadando rente à margem
o peixe, nem sabe
que existem palavras
líquidas
que secam lábios
quando os percorrem.
Peixes e deuses
ignoram palavras;
mudos e perdidos
em líquidas moradas
vivem sós, sem esperar
uma só e desoladora
palavra.
António Eduardo Lico
Subscrever:
Mensagens (Atom)