Ontem coloquei uma poesia de D. Dinis. Hoje coloco uma poesia do seu avô, Afonso X O Sábio, que para além das famosas Cantigas de Santa Maria, cultivou sobretudo as canções satíricas, chegando até nós 44 dessas canções. Afonso X assume grande importância no contexto da poesia de matriz Galaico-Portuguesa porque, apesar de ser rei de Castela e Leão, elegeu o galaico-português para escrever as suas poesias:
Achei Sancha Anes encavalgada
Achei Sancha Anes encavalgada,
e dix'eu por ela cousa guisada,
ca nunca vi dona peior talhada,
e quige jurar que era mostea;
e vi-a cavalgar per ũa aldeia
e quige jurar que era mostea.
Vi-a cavalgar con un seu'scudeiro,
e non ía milhor un cavaleiro.
Santiguei-m'e disse: «Gran foi o palheiro
onde carregaron tan gran mostea»;
vi-a cavalgar per ũa aldeia
e quige jurar que era mostea.
Vi-a cavalgar indo pela rúa,
mui ben vistida en cima da múa;
e dix'eu: «Ai, velha fududancúa,
que me semelhades ora mostea!»
Vi-a cavalgar per ũa aldeia
e quige jurar que era mostea.