Em virtude das tradicionais Férias não tenho tanto tempo para actualizar o blog.
Desejo a todos os leitores e leitoras do meu espaço bons momentos.
domingo, 4 de agosto de 2013
terça-feira, 30 de julho de 2013
Esta brevidade das palavras
Reponho duas poesias do poemário Esta brevidade das palavras:
Quase
Quase o mar, quase um
navio.
Quase névoa, quase
lágrima.
Quase perdido, o teu
olhar, na lonjura.
Pequena canção para uma
sombra
Era uma sombra, um
sorriso.
Era redonda a lágrima.
Que esculpia melancolia
no meu rosto.
António Eduardo Lico
José Afonso canta Jorge de Sena - Epígrafe para a arte de furtar:
Roubam-me Deus,
outros o Diabo
- quem cantarei?
roubam-me a Pátria;
e a Humanidade
outros ma roubam
- quem cantarei?
sempre há quem roube
quem eu deseje;
e de mim mesmo
- todos me roubam
roubam-me a voz
quando me calo,
ou o silêncio
mesmo se falo
- aqui d'El Rei
Epígrafe para a arte de furtar
outros o Diabo
- quem cantarei?
roubam-me a Pátria;
e a Humanidade
outros ma roubam
- quem cantarei?
sempre há quem roube
quem eu deseje;
e de mim mesmo
- todos me roubam
roubam-me a voz
quando me calo,
ou o silêncio
mesmo se falo
- aqui d'El Rei
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Esta brevidade das palavras
reponho duas poesias do poemário Esta brevidade das palavras:
Pequena melodia
Da palavra o som.
Do som a melodia.
Da melodia o poema.
Vuela la mariposa
La mariposa vuela.
Y rodopiando vuela la
mariposa.
El Infinito es pequeño para tan breve vuelo.
António Eduardo Lico
domingo, 28 de julho de 2013
Este rio que corre sem águas
Reponho uma poesia do poemário Este rio que corre sem águas:
Deuses num quarto escuro
Deuses num quarto escuro
Um quarto, as roupas da cama
tangentes ao sonho e deuses
antigos e modernos que se fazem
a si mesmos como sombras
chinesas, aladas, na sua
vertigem de divindade.
Moscas picam-nos em vão,
Indiferentes, os deuses,
antigos e modernos
buscam apenas ser sombras
na sombra das paredes
de um quarto escuro.
António Eduardo Lico
Uma poesia de Helder Macedo:
CRUCIFICAÇÃO
O que ofereces não chega.
Tua vontade tem o teu tamanho]
e o corpo que lhe dás é o teu corpo
meu corpo anterior que me usurpaste.
Nem o reino que anuncias pode abrir-se
para ti
mais que os lábios rasgados do meu sexo.
Um parto é sem regresso.
E é já dos outros
a fé que rege o mundo
e que os teus braços breves esticou
num abraço maior do que podias.
Não o teu verbo
mas o teu corpo
eu quero
que nele se transformou o meu poder.
Morre sozinho
Se não crês em ti.
Meu ventre bifurcando lembra ainda
a forma imaculada do teu crânio.
CRUCIFICAÇÃO
O que ofereces não chega.
Tua vontade tem o teu tamanho]
e o corpo que lhe dás é o teu corpo
meu corpo anterior que me usurpaste.
Nem o reino que anuncias pode abrir-se
para ti
mais que os lábios rasgados do meu sexo.
Um parto é sem regresso.
E é já dos outros
a fé que rege o mundo
e que os teus braços breves esticou
num abraço maior do que podias.
Não o teu verbo
mas o teu corpo
eu quero
que nele se transformou o meu poder.
Morre sozinho
Se não crês em ti.
Meu ventre bifurcando lembra ainda
a forma imaculada do teu crânio.
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