sábado, 22 de fevereiro de 2014

Reponho uma poesia do poemário O canto em mim:

A rosa nos lábios

Uma rosa nos lábios
que se desfolha pétala a pétala
desenhando o teu sorriso.

António Eduardo Lico

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Reponho uma poesia do poemário O canto em mim:

Um Olhar Sobre a Chuva

Com olhar inexistente
olho a chuva que cai no chão
para além da vidraça

A chuva cai sempre com graça.
Vê-la através de uma janela
líquida e insubstancial

 a chuva, substância imaterial
que está para além do olhar
e para além de todas as janelas.

Redondas, as gotas, são elas
que tecem a estranha harmonia
da música que tocas ao beijar o chão

para aquém da vidraça, em vão
tento adivinhar-te caindo
com olhar inexistente

António Eduardo Lico
Uma poesia da poetisa brasileira Vanda Salles>

VIDA

No espaço vazio
Do silêncio até a palavra
O que resta a nós?


Humanamente,
Pergunto-te,
Ó irmã (o)?

- Onde está a verdade do ser?

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Reponho uma poesia do poemário O canto em mim:

O canto em mim

Canto como se fosse sempre noite
e as palavras como sombras
oráculos da voz. ausente.

O deus antigo murmura
e a música esvai-se
como se o canto fosse em mim.

António Eduardo Lico
Uma poesia do poeta argentino Manuel Lozano:


La danza

Paréceme una cueva donde guardar los hilos
que estallarían el aceite y la saliva
extendidos como sudarios por el júbilo negro.
Me río en la albura de esta profanación:
¿Son manicomios los que ríen
por mi perdida sangre, por tu perdida
/osamenta,
por el tejido de llagas?
Entre ellos va cayendo una mansión.
El germen vela a la hija más fría
de Xangó con su perro entre los pastizales.
¿Ante qué liquen era el milagro
de tu muerte hundida por un tigre que vuela?
La sed pregunta por la herida,
discurre en percepciones de rocas
de un planeta exhalado para el amor,
para otros altares.
No hay víctimas sin red,
ni lajas sepulcrales sin declives.
El soplo desnudo es un caballo.
Paréceme trepar como gramilla lejana,
tal vez humo

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Reponho duas poesias do poemário Esta brevidade das palavras:

Luz


A sombra escura nasce na luz.
A luz nasce na imagem da palavra.
A palavra nasce em segredo no Verbo.


De verde, as relvas


As relvas que se vão revelando.
Escondem-se de verde.
Ocultam toda a Primavera.

António Eduardo Lico
Uma poesia de Paul Éluard:

La terre est bleue

La terre est bleue comme une orange
Jamais une erreur les mots ne mentent pas
Ils ne vous donnent plus à chanter
Au tour des baisers de s'entendre
Les fous et les amours
Elle sa bouche d'alliance
Tous les secrets tous les sourires
Et quels vêtements d'indulgence
À la croire toute nue.

Les guêpes fleurissent vert
L'aube se passe autour du cou
Un collier de fenêtres
Des ailes couvrent les feuilles
Tu as toutes les joies solaires
Tout le soleil sur la terre
Sur les chemins de ta beauté.

Oeil de sourd
Faites mon portait.
Il se modifiera pour remplir tous les vides.
Faites mon portrait sans bruit, seul le silence,
A moins que - s'il - sauf - excepté -
Je ne vous entends pas.

Il s'agit, il ne s'agit plus.
Je voudrais ressembler -
Fâcheuse coïncidence, entre autres grandes affaires.
Sans fatigue, têtes nouées
Aux mains de mon activité.