terça-feira, 4 de março de 2014

Uma poesia da poetisa costariquenha Vilma Vargas Robles:

Jornada

Aquí quedó oscilando mi última furia.
Engullo cada mancha de la pared,
cada clavo.

Y me siento dueña de mi voz descolgándose,
 palpo sus aristas y me quedo quieta,
 absorbo su semilla y ya no se esparce.

 Me tiendo sin una piedra o talismán.
 Recorro el cuarto con los ojos abiertos:
 no hay visiones,
 sólo la noche que cae después del trabajo.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Reponho uma poesia do poemário O canto em mim:

Esta mensagem que me chega

Eis como tudo começa:
de Hermes recebi a mensagem
que já me estava destinada

Recebo-a com a indiferença
gelada dos que não esperam.
Os  deuses já conhecem todas
as mensagens e Hermes
é apenas o velado mensageiro.

Antonio Eduardo Lico
Uma poesia de António Ramos Rosa:

Atento, vejo a chama fulva da abelha

Atento, vejo a chama fulva da abelha
e a cadência do desejo monótono vagabundo
num pequeno corpo ardente e frágil.
O mundo aqui é um sopro verde
em que tudo flui em silenciosos gozos.
Na delícia do ócio o pensamento
entrega-se ao vento e ao olvido.
Só o desejo ordena o fluente ardor
que em mil meandros se propaga no ar.
E de tanto respirar essa pátria volante
eu própria sou a espessa substância do bosque.

domingo, 2 de março de 2014

Reponho uma poesia do poemário O canto em mim:

A Esfinge de ébano

Da esfinge de ébano,
a dos doces lábios
colhi apenas
amarga flor de silêncio

António Eduardo Lico
Uma poesia do poeta equatoriano Pablo Yépez Maldonado:

Poema con dos puntas de una estrella

Por vos
llegué a esto
tambaleándome por los tensos andamios del cosmos
vestido con luces del costillar humano
con tímpanos de lo efímero
como la muerte
por vos
encontré la cicatriz que se forma en el viento
y su signo
la luna de neón
y la mujer de sonido metálico
la estrecha sonrisa del horizonte
-imágenes encontradas al azar
en una funda de trapos viejos-
lo hermoso de una botella
incendiaria
las desiguales formas con las que golpea el agua
en las telas extendidas de la imaginación
las luces
y los inviernos de papel
los éxodos voluntarios
la oportunidad de estar vivos
y con ojos como reos de culpabilidad
por la tierna fuerza que se refugia
a la izquierda del corazón
por los márgenes clausurados
por la rutina que se descorcha cuando apareces
y de la nada fabricas
lo helechos emplumados para el amor
por la curva demasiado pronunciada
de la noche
o el estigma de la angustia
en nuestros pechos
por la lucha que damos
al ritmo
de estos espumosos
cuerpos.

sábado, 1 de março de 2014

Reponho uma poesia do poemário O canto em mim:

Fragmento para uma poesia

Afrodite nascia da água
e uma rosa era o silêncio
futuro que Eros havia de fazer

António Eduardo Lico
Uma poesia de Eugénio de Andrade:

Fecundou-te a vida nos pinhais

Fecundou-te a vida nos pinhais.
Fecundou-te de seiva e de calor.
Alargou-te o corpo pelos areais
onde o mar se espraia sem contorno e cor.
Pôs-te sonho onde havia apenas
silêncio de rosas por abrir,
e um jeito nas mãos morenas
de quem sabe que o fruto há-de surgir.
Brotou água onde tudo era secura.
Paz onde morava a solidão.
E a certeza de que a sepultura
é uma cova onde não cabe o coração.