sexta-feira, 4 de abril de 2014

Uma poesia do poeta guatemalteco Carlos López:


Ser absoluto,
ombligo de la noche,
nostalgia ardiente.

Estrella roja
tiñe árboles de fuego,
se prende el día.

Canto de lluvia
atraviesa la noche:
luna en el pozo.

Perla de mar
se posa sobre el cielo:
canto del agua.

Baja la nube,
eco de caracoles,
flor de luz danza.

Culebra de agua
rumora bajo el puente,
grita la tierra.

Sangra la luna:
abre el pubis del cosmos
trueno de fuego.

Acantilado,
glaciares de nostalgia,
crujen los huesos.

Rojo de sol
tiñe el mar, pinta el mundo,
incendia llanos.

Noche en tus ojos,
estrellas solitarias,
luna en tu pelo.

Noche profunda:
gira el sol en tu pelo,
ángeles vuelan.

Luz azul baña
la cresta de la acacia:
Semana Santa.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Reponho uma poesia do poemário Amanhecer obscuro:

Era tudo metafísica

Era tudo metafísica. Diziam.
Diziam que Hölderlin era vagamente louco,
e esqueciam que eram loucamente vagos.
Era tudo metafísica. Diziam.
Diziam, vê lá tu, que nem ligavas à metafísica,
diziam, caro Goethe, que não entendiam
o teu atrevimento; sim, o teu atrevimento
de fazeres uma teoria em que gentilmente
rebatias e negavas Newton; bem sei, Newton era inglês
e nem percebia nada de metafísica, embora
fizesse por aparentar ser um verdadeiro conhecedor.
Ficavam, e ainda ficam, zangados com a tua Erotica Romana
e esse teu secreto jeito de Mefistófeles.
Tu dizias que não eras Mefistófeles, mas
ensinavas assim: tudo o que existe merece desaparecer.
Era o teu jeito íntimo de seres o que dizias não ser.
Era tudo metafísica. Diziam.
Chamavas-te Vladimir, Vladimir Maiakowski
diziam que eras gentil, terno e frágil.
Eras gentil, terno e frágil e forte.
Eles não queriam que fosses forte.
Uma mulher bonita, de odor suave
tornou-te frágil e resolveste partir.
Nem te despediste, de súbito deixaram de te ver.
Era tudo metafísica. Diziam.
Era mais conveniente atribuir a tua partida
a um homem vagamente chamado Estaline.
Era bem melhor assim: mais um morto
na contabilidade de Estaline. Ainda que vagamente.
Olha, meu caro Maiakowski, se calhar
ainda estão a pensar que devem atribuir a Estaline
a extinção dos dinossáurios.
E vão dizer: que crueldade! Estaline
nem quis saber que eram répteis
e animais de sangue frio.
Talvez até queiram acusá-lo da queda do Império.
É isso, Estaline estabeleceu-se nas fronteiras do Império,
estão enganados, não era Átila, o Huno, nem Alarico,
O Visigodo, e todos os outros Godos:era ele,
vagamente chamado Estaline,
era ele que acossava as doces Vestais.
Vão também dizer que não sabia de Babilónia
isso, não sabia de Babilónia a grande prostituta.
Era tudo metafísica. Diziam.
Era afinal um ignorante. Quem não sabia
De Babilónia, a grande prostituta?
Agora nas portas de Ur há um homem
pendurado pelo pescoço. Sim, nas portas de Ur.
Indica que Babilónia era a grande prostituta
Já não tem jardins suspensos, tem um homem,
tem homens suspensos pelo pescoço nas portas de Ur.
Era tudo metafísica. Diziam.
E sabes, um banqueiro, disfarçado de académico.
Um homem, um homem de nome Montefiore.
Não, não é florentino, nem sequer siciliano.
É inglês, vulgarmente inglês, vulgarmente
banqueiro disfarçado de académico.
Escreveu um livro sobre ti, quando eras homem crescido;
depois escreveu um livro sobre ti, quando jovem..
Isso é mau presságio, sabias? Negro augúrio, eu digo!
Não demora, ele vai dizer, esse homem de nome Montefiore,
que é banqueiro disfarçado de académico,
que nunca estiveste em Ítaca, nunca estiveste
a bordo do Argos; nunca foste Argonauta!
Vai dizer que não sabias que Pitágoras
foi educado no Egipto, e depois enviado
para a Grécia. Na Grécia ele abria templos
e colocava na entrada: Quem não é geómetra, Não entre!
Ele, esse homem de nome Montefiore
que é banqueiro disfarçado de académico
vai dizer que tu não sabias que Pitágoras
sabia fazer a quadratura do círculo.
Não, eu não estou a dizer que ele afirma
que não conheces o teorema! Não me entendas mal!
Vão dizer que assim não vale, assim não conta.
vão dizer que eras inoxidável.
Sabes? Muitos poetas gostam de usar a palavra
óxido nas suas poesias; dizem que assim
podem pertencer a não sei que escola, ou movimento.
Era tudo metafísica. Diziam.
Lembrei-me agora de ti. Sabes, Mao Tse Tung?
Agora escondes-te, ou escondem-te
sob uma espécie de acordo ortográfico,
assim um acordo ortográfico interno, só com validade na China.
Agora os chineses são exportadores e exportaram um nome: Mao Zedong
Era tudo metafísica. Diziam.
Já não sabiam que mais crimes e mortes te atribuir.
Então disseram que gostavas de te rodear de mulheres jovens.
Disseram que tinhas mulheres demais.
Sabes, ainda te vão acusar do rapto das Sabinas.
És outro candidato a responsável pela queda do Império,
talvez te convertam no candidato ideal
para explicarem a queda do Império do Oriente.
Foste tu que chamaste os turcos, meu velho?
Vão dizer que num delírio de crueldade
chamaste vários turcos: os Seldjúcidas
que prepararam o terreno, e depois os Otomanos.
Era tudo metafísica. Diziam.
Matisse e Picasso estavam em Paris.
Havia muita gente que estava em New York.
em Chicago, em Los Angeles: eram americanos.
Havia um americano, dizem-me que era escritor:
O nome: Dwight Macdonald. Escrevia, por consequência,
Pois dizem-me que era escritor. Escrevia que a bomba atómica
era natural; era uma consequência natural, uma banalidade
do estilo de vida americano, como os automóveis, ou a fast food.
Depois havia também um outro americano,
Este chamava-se Jackson Pollock, dizem-me que era pintor.
assumi que sendo pintor, pintava., pois é isso que fazem os pintores.
Era tudo metafísica. Diziam.
Diziam que esse Pollock iniciou uma revolução na pintura:
Era cheia de automatismos, melhor era baseada em processos
automáticos, era arte moderna, aquilo é que era arte moderna.
Diziam que era expressionismo abstracto; eram alguns, esses
expressionistas, esses abstractos, tinham que ser alguns;
se fossem nenhuns, parecia mal; o que diriam as pessoas?
Eram Pollock, Motherwell, De Kooning, Hofmann, Kline, havia outros.
A América estava cheia de expressionistas, e de abstractos,
que não eram expressionistas, nem eram abstractos.
Eram pagos pelos guerreiros da Guerra Fria, dava-lhes
(t)alento o dinheiro sujo e secreto para conter
o grave perigo vermelho que ameaçava a Velha Europa.
Jacques Duclos um dia transportava pombas no seu automóvel.
Era um dia em que um general americano chegava a Paris.
Não, esse general americano não era expressionista,
nem sequer abstracto, não gostava de pombas, era isso!
Prenderam Duclos, ignora-se se prenderam as pombas.
Pablo Picasso, tu não sabias, mas o Departamento de Estado
Até fez um informe secreto sobre ti: eras vermelho.
Tinhas as huertas de Valência na alma e a claridade
do sol valenciano no pincel, e pintavas, e pintavas.
E seguias rojo como era o Poente nas bandas de Valência
e denunciavas, com luz e sombra, na tua pintura,
a matança na Coreia, esse quadro expressionsita
e abstracto pintado pelos american boys nas
longínquas paisagens de arroz do Extremo Oriente.
Era tudo metafísica. Diziam.
Tu e Matisse estavam em França, em Paris
eles eram expressionistas e abstractos
vinham do outro lado do Atlântico,
vinham das Montanhas Rochosas e dos Apalaches,
vinham travestidos de abstracção,
Edgar Hoover tinha travestido toda a América
e ditava a última moda em lingerie.
Eram meros instrumentos de propaganda,
alguns deles bem medíocres, agora génios promovidos.
Hoje, resta apenas a cinza do mercado da arte
e a luz e as sombras que traçaste na tela
Era tudo metafísica. Diziam.
Pusemos Torquemada como bispo de Roma
tantos bispos italianos e por último um polaco – era demais!
Era tudo metafísica. Diziam.
Valia mais Torquemada, um espanhol que é alemão.
Os espanhóis sempre tiveram uma política alemã
dizem muitos manuais de História.
É sempre melhor ter Torquemada em Roma
que ter uma sucursal em Avignon
com um francês que só gosta de Camembert
e pensa que o Champagne é néctar dos deuses.
Era tudo metafísica. Diziam.
Não quero que me acusem de ser metafísico,
calo-me com Torquemada.
Era tudo metafísica. Diziam.
Torquemada nunca foi a Granada
nem conhece o Cante Jondo.
Federico, a quem chamavam Garcia Lorca
foi a Granada sem ir a Granada.
E Granada chora a ausência daquele
que nunca foi a Granada.
Era tudo metafísica. Diziam.
Granada llora y su cante
pinta de rojo las naranjas
La guitarra, como luna,
testigo que los gitanos
velan tu morada
en las puertas de Granada.
Era tudo metafísica. Diziam.
Nem eu vou falar de petróleo,
ainda vão dizer que sou bolchevista
e que não gosto das sete irmãs,
talvez seja um conspiracy theorist
ou um desses metafísicos
que nem sequer é afrancesado
e hesita se tem que classificar Baudelaire,
modernista, antes dos modernos,
simbolista sem simbólica, ou apenas um poeta.
Era tudo metafísica. Diziam.

António Eduardo Lico
Uma poesia do grande poeta cubano Nicolás Gullén:

Una Canción a Stalin

Stalin, Capitán,
a quien Changó proteja y a quien resguarde Ochún.
A tu lado, cantando, los hombres libres van:
el chino, que respira con pulmón de volcán,
el negro, de ojos blancos y barbas de betún,
el blanco, de ojos verdes y barbas de azafrán.
Stalin, Capitán.

Tiembla Europa en su mapa de piedra y de cartón.
Mil siglos se desploman rodando sin contén.
Cañón
del Austro al Septentrión.
Cabezas y cabezas cortadas a cercén.
El mar arde lo mismo que un charco de alquitrán.
Bocas que ayer cantaban a la Verdad y el Bien
Hoy bajo cuatro metros de amargo sueño están...
Stalin, Capitán.

Pero el futuro afinca, levanta su ilusión
allá en tu roja tierra donde es feliz el pan,
y altos pechos armados de una misma canción
las plumas de los buitres detienen, detendrán,
allá en tu helado cielo de llama y explosión,
Stalin, Capitán.

El jarro de magnolias, el floreal corazón
de Buda, despereza su extático ademán;
gravita un continente sobre el Mar del Japón:
rudo bloque de sangre de Siberia a Ceylán
y de Esmirna a Cantón...
Stalin, Capitán.

Tambores africanos con resonante son
sobre selva y desierto su vivo alerta dan,
más fiero que el metal con que ruge el león;
y alzando hasta el Pichincha la tormentosa sien
América convoca su puma y su caimán,
pero además engrasa su motor y su tren.
Odio por dondequiera verá el ciego alemán
la paloma, el avión,
el pico del tucán,
el zoológico río de vasta indignación,
las flechas venenosas que en pleno blanco dan,
y aun el viento, impulsando sus ruedas de ciclón...

Stalin, Capitán, a quien Changó proteja y a quien resguarde Ochún...
A tu lado, cantando, los hombres libres van:
el chino, que respira con pulmón de volcán,
el negro, de ojos blancos y barbas de betún,
el blanco, de ojos verdes y barbas de azafrán...
¡Stalin, Capitán,
los pueblos que despierten junto a ti marcharán!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Reponho uma poesia do poemário Amanhecer obscuro:

De que me serve fugir
de morte, dor e perigo,
se me eu levo comigo?

(mote de Luís Vaz de Camões)

De que me serve fugir?
Eu não quero fugir;
quando se foge, leva-se tudo,
leva-se o corpo, leva-se a alma
vai-se só, permaneces-se só.
Eu quero ficar,
ficar, mas fugindo,
sem permanecer em mim.

António Eduardo Lico
Uma poesia do poeta chileno Óscar Hahn:

Bárbara azul

Aquella dulce muerte tu hermosísimo amor
Me ha traído a la orilla de este río nevado
De pronto en pleno invierno la descongelación
Descubre rosas rojas y bárbaras azules

Los pájaros helados se entibian sorprendidos
Un trino de color rosado pinta el cielo
A las diez de la noche: y un alba deslumbrante
Se levanta a deshora limpiándose las plumas

Aquella dulce muerte tu hermosísimo amor
Me ha rozado los ojos con su estela celeste
Y ahora en vez de lágrimas una constelación
De hipocampos dorados rueda por tus mejillas.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Reponho uma poesia do poemário Amanhecer obscuro:

Amanhecer obscuro

Oh noite, companheira indecisa
da clara lua e anónimos rouxinóis;
cobre-me com os teus cabelos longos,
deixa-me vogar na tua penumbra
e atravessar a anunciada madrugada
rumo à desconhecida manhã

António Eduardo Lico
Uma poesia da poetisa salvadorenha Lilian Serpas:

Vivo en lo abierto

Si el amor terrenal es desconcierto;
Si en un perenne afán nunca colmado,
Viviera el corazón deshabitado:
Mi voluntad renuncia a su desierto…;

Diré que duerme en el arrullo cierto,
Donde el pensar más frío, es alumbrado;
Libre en esencia, al mundo contemplado,
Ciego de luz en el espacio abierto…

Y en soledad ardiente que fulgura
―ese Alguien que a mi ser cautiva,
deslíe con sus ojos la hermosura,

de cuanto amó de amor su llama viva…
¡Y en supresión, al fin, de la criatura,
de lo total, es flor definitiva!