sábado, 31 de maio de 2014

Reponho uma poesia do poemário Sombras luminosas:

Arena y piel

Las arenas crudas y calientes
queman tu piel clara.
y es solamente el sol, la arena
y tu piel, testigo de luz.

António Eduardo Lico
Uma poesia da poetisa argentina Iris Cadelago:

Quiero Ser

Quiero ser como aquel rayo
Que rasgó la noche en un instante
sin vacilar, siquiera.

Quiero ser el fuego, no la brasa.
quiero ser energía, no materia.
quiero ser la llama que consume,
el agua que penetra,
el aliento que respiras
y asimilar tu esencia...

Quiero ser la imagen en tus ojos,
y en tu mente cuando no me miras,
quiero ser un nombre entre tus labios
y un eco rebotando en las cornisas
de tu grito ancestral y dolorido
por beber el vino de este olvido,
antes de correr tras una estrella.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Reponho uma poesia do poemário Amanhecer obscuro:

Death wears in white and is young…

 We live as if Death couldn’t remember us,
with her golden bough and a magic smile.
We saw you so white and young,
as Turner painted you.
Death must be conveniently young
to be always dying

António Eduardo Lico
Uma poesia de António Franco Alexandre:

Nesta última tarde em que respiro

Nesta última tarde em que respiro
A justa luz que nasce das palavras
E no largo horizonte se dissipa
Quantos segredos únicos, precisos,
E que altiva promessa fica ardendo
Na ausência interminável do teu rosto.
Pois não posso dizer sequer que te amei nunca
Senão em cada gesto e pensamento
E dentro destes vagos vãos poemas;
E já todos me ensinam em linguagem simples
Que somos mera fábula, obscuramente
Inventada na rima de um qualquer
Cantor sem voz batendo no teclado;
Desta falta de tempo, sorte, e jeito,
Se faz noutro futuro o nosso encontro.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Reponho uma poesia do poemário Sombras luminosas:

Oráculo

 Precisava de ser o oráculo de mim mesmo
Assim como se tivesse um oráculo dentro de mim
não o de Delfos, hoje não me sinto classicista,
nem me apetece fazer alpinismo no Parnaso;
um oráculo ante-moderno, pelo menos
assim não tenho que dar explicações
pelo menos muitas; algumas terei que dar.
Posso sempre desculpar-me com os labirintos,
os oráculos têm labirintos a que só
os purificados podem aceder.
Se ao menos Pitia vivesse em mim!
Creio que vou acabar o dia a meditar
sobre o Bezerro de Ouro e vou
desistir de traçar o meu destino…oracular.

António Eduardo Lico
Uma poesia de Afonso Lopes Vieira:

Leve, Leve, o LuarLeve, leve, o luar de neve 
goteja em perlas leitosas, 
o luar de neve e tão leve 
que ameiga o seio das rosas. 

E as gotas finas da etérea 
chuva, caindo do ar, 
matam a sede sidéria 
das coisas que embebe o luar. 

A luz, oh sol, com que alagas, 
abre feridas, e a lua 
vem pôr no lume das chagas 
o beijo da pele nua.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Reponho uma poesia do poemário Sombras luminosas:

Gardening flowers that do not exist…

 If I was a gardening poet hermit,
even if I hadn’t a garden, just one.
A garden with a small pond and gardenias,
with gravity I would care
the flowers that do not exist

António Eduardo Lico