quarta-feira, 4 de junho de 2014

Uma poesia da poetisa salvadorenha Claudia Hérodier:

Hija de la distancia

No cambio mis sandalias
por pasión mundana.
Ni me seducen los pellejos de las voces.
Soy avaricienta de mi nostalgia,
de mi ser entero;
de la luz que vengo a dejar,
y de la fuerza que me inunda en la palabra.
Nada puede mi orgullo
más hondo, contra
mi humildad mas descalza.
Pues se ata en mí
el ser hija del universo
y de las uñas de la distancia.

¿Que estoy aquí? ¡Es cierto!
Y aparenta ser de tierra mi esperanza.

De lejos vengo, y voy corriendo,
gritando como loca entre mis faldas.
¿Ser tangible es la pregunta?
¿O es la pregunta el ir descalza?

Llena voy, entonces, de todos,
de mí, vestida apenas con una manta.
A todos dejo mi entrega,
y ser, yo misma,
no me acobarda.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Reponho uma poesia do poemário Sombras luminosa:

Los duendes suelen volar

Dicen que el duende tiene manos
de seguidilla, ojos de soleares
y pelo de bulerias.

Ay duende, vuela por las cuerdas
y llena los aires de pájaros
hechos puro y blanco sonido

António Eduardo Lico
Uma poesia de José Gomes Ferreira:

Entrei no café com um rio na algibeira

Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Reponho uma poesia do poemário Sombras luminosas:

De la guitarra el duende sueña...

La musica sale de la encordada
y vuela como lo hacen las melodías
que buscan al duende
y los secretos de todas las flores

António Eduardo Lico
Uma poesia de Francisco Manuel de Mello:



Saudades

Serei eu alguma hora tão ditoso,
Que os cabelos, que amor laços fazia,
Por prémio de o esperar, veja algum dia
Soltos ao brando vento buliçoso?

Verei os olhos, donde o sol formoso
As portas da manhã mais cedo abria,
Mas, em chegando a vê-los, se partia
Ou cego, ou lisonjeiro, ou temeroso?

Verei a limpa testa, a quem a Aurora
Graça sempre pediu? E os brancos dentes,
por quem trocara as pérolas que chora?

Mas que espero de ver dias contentes,
Se para se pagar de gosto uma hora,
Não bastam mil idades diferentes?

domingo, 1 de junho de 2014

Reponho uma poesia do poemário Sombras luminosas:

Duende com rosas...

...de súbito a luz que te inunda o sorriso
é um duende que caminha pelo teu rosto
procurando a sombra das rosas.

António Eduardo Lico
Uma poesia de Camões:

Perdigão perdeu a pena

Perdigão perdeu a pena
Não há mal que lhe não venha. 

Perdigão que o pensamento
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar,
Ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha:
Não há mal que lhe não venha.

Quis voar a u~a alta torre,
Mas achou-se desasado;
E, vendo-se depenado,
De puro penado morre.
Se a queixumes se socorre,
Lança no fogo mais lenha:
Não há mal que lhe não venha.