Devido aos problemas de ligação à internet a actualização é bem mais problemática.
Hoje escolhi a poetisa chinesa Yu Xuanji, nascida em 844 e falecida por volta de 869. Trata-se de mais uma grande poetisa que enriquece a grande produção poética da Dinastia Tang.
De Yu Xuanji restaram 50 poemas.
Fica um dos poemas, elaborado a partir da tradução para português de Ricardo Primo Portugal, poeta e diplomata brasileiro e pela sua mulher Tan Chiao:
SENTIMENTOS DE PRIMAVERA – ENVIADO A ZI‘AN
Íngreme a estrada; à montanha, crispam-se escarpas
Áspera a via; sem ti, mais árduo é o caminho,
Vejo o degelo, chega-me o som de tuas rimas,
longe. À neve dos picos, tua imagem de jade
Vinho ordinário, pobres canções não te apresem
Nem, com fúteis parceiros, pernoites ao jogo
Forjado em pinus, não pedra, dure este voto:
aves, voaremos em par; o encontro se apresse
Mesmo se, ao pleno inverno, este dia atravesse,
torno à mais cheia lua, de novo me envolvas
Parto, e tudo o que tenho a dar-te são despojos:
este poema, lágrimas, luz de viés
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
domingo, 5 de agosto de 2012
Hoje, 5 de Agosto passa mais um aniversário do fusilamento das treze rosas às mãos dos franquistas. Foram treze vidas ceifadas de jovens mulheres que estavam do lado da Justiça, da Liberdade, dos humilhados e ofendidos. No poemário Sombras luminosas fiz a minha homenagem a essas treze mulheres:
Trece rosas
Trece rosas
Solo en
el Verano las rosas son rosas
y en
Agosto todas la rosas se vuelven rojas
Dime lo
que contemplas
lunita
del cementerio del Este?
Ay, yo
solo puedo ver las rosas
las
rosas que se van a morir
Ya se
tocan seguidillas
ya
lloran los pañuelos
En el
cementerio del Este
hay trece
rosas rojas
António Eduardo Lico
Em virtude de em Lisboa não ter actualmente ligação é net e depender de uma ligação wireless, muitas vezes pouco fiável, tem sido difícil actualizar o blog.
Hoje vou fazer a reposição da poesia de um poeta que eu muito admiro, Miguel Hernandez:
LAS ABARCAS DESIERTAS
Por el cinco de enero,
cada enero ponía
mi calzado cabrero
a la ventana fría.
Y encontraban los días,
que derriban las puertas,
mis abarcas vacías,
mis abarcas desiertas.
Nunca tuve zapatos,
ni trajes, ni palabras:
siempre tuve regatos,
siempre penas y cabras.
Me vistió la pobreza,
me lamió el cuerpo el río,
y del pie a la cabeza
pasto fui del rocío.
Por el cinco de enero,
para el seis, yo quería
que fuera el mundo entero
una juguetería.
Y al andar la alborada
removiendo las huertas,
mis abarcas sin nada,
mis abarcas desiertas.
Ningún rey coronado
tuvo pie, tuvo gana
para ver el calzado
de mi pobre ventana.
Toda la gente de trono,
toda gente de botas
se rió con encono
de mis abarcas rotas.
Rabié de llanto, hasta
cubrir de sal mi piel,
por un mundo de pasta
y un mundo de miel.
Por el cinco de enero,
de la majada mía
mi calzado cabrero
a la escarcha salía.
Y hacia el seis, mis miradas
hallaban en sus puertas
mis abarcas heladas,
mis abarcas desiertas.
Hoje vou fazer a reposição da poesia de um poeta que eu muito admiro, Miguel Hernandez:
LAS ABARCAS DESIERTAS
Por el cinco de enero,
cada enero ponía
mi calzado cabrero
a la ventana fría.
Y encontraban los días,
que derriban las puertas,
mis abarcas vacías,
mis abarcas desiertas.
Nunca tuve zapatos,
ni trajes, ni palabras:
siempre tuve regatos,
siempre penas y cabras.
Me vistió la pobreza,
me lamió el cuerpo el río,
y del pie a la cabeza
pasto fui del rocío.
Por el cinco de enero,
para el seis, yo quería
que fuera el mundo entero
una juguetería.
Y al andar la alborada
removiendo las huertas,
mis abarcas sin nada,
mis abarcas desiertas.
Ningún rey coronado
tuvo pie, tuvo gana
para ver el calzado
de mi pobre ventana.
Toda la gente de trono,
toda gente de botas
se rió con encono
de mis abarcas rotas.
Rabié de llanto, hasta
cubrir de sal mi piel,
por un mundo de pasta
y un mundo de miel.
Por el cinco de enero,
de la majada mía
mi calzado cabrero
a la escarcha salía.
Y hacia el seis, mis miradas
hallaban en sus puertas
mis abarcas heladas,
mis abarcas desiertas.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Reponho hoje dois poemas do poemário A rosa é a via:
Tudo o que sei...
Tudo o que sei é nada
tudo o que não sei, é tudo
o que não sei, e é nada.
Nada é tudo, insisto:
tudo é a rosa.
Disseram-me...
Disseram-me: a poesia
tem uma música secreta.
Eu digo-vos: as palavras
têm silêncios que rasgam
as notas e fazem as músicas.
Disseram-me: as rosas
têm perfumes secretos.
Eu digo-vos: as rosas
são flores secretas,
os perfumes apenas
nos lembram o segredo.
António Eduardo Lico
Uma viagem de Londres para Lisboa com uma longa escala em Munique, impediu-me de poder acessar o blog ontem.
O poeta de hoje é José Luís Peixoto. Nascido em 1977, é poeta e professor.
Fica esta poesia:
Agarro-me aos teus dedos
agarro-me aos teus dedos
como se me afogasse entre os pensamentos:
de bronze são as palavras
as palavras imperecíveis de bronze
que lacrimejam dos teus olhos
como a tortura ou o silêncio
pois é assim, as mãos urdindo
com amor
as confissões que arranquei a outras noites
quando não regressavas...
O poeta de hoje é José Luís Peixoto. Nascido em 1977, é poeta e professor.
Fica esta poesia:
Agarro-me aos teus dedos
como se me afogasse entre os pensamentos:
de bronze são as palavras
as palavras imperecíveis de bronze
que lacrimejam dos teus olhos
como a tortura ou o silêncio
pois é assim, as mãos urdindo
com amor
as confissões que arranquei a outras noites
quando não regressavas...
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Uma reposição do poemário Que de dentro não se vê:
Era leve, tão leve...
Era leve, tão leve
como na madrugada, o orvalho.
Tão leve como lua flutuando
em rio de líquida substância indefinida.
No limiar do Sol que te saciava a sede
ardias, e a madrugada que em ti se esvaía
corria líquida, adivinhando
os mares que se abriam em azul, como que
se esperassem o vermelho da manhã.
Se na rosa o orvalho caíra
seria leve, tão leve
como na madrugado o orvalho.
António Eduardo Lico
O poeta de hoje é Eduardo Guerra Carneiro.
Nascido em Chaves em 1942, suicidou-se em Lisboa em 2004. Tive a honra de ser seu amigo e conviver com ele.
Guerra Carneiro foi jornalista e poeta. Talvez o último dos poetas surrealistas em Portugal.
Fica este poema:
AFINAL ACABO SEMPRE POR FALAR DE TI
Aqui de novo estou, cantiga, neste
lugar de eleição onde retomo a escrita.
É um vagar premeditado, no regresso ao corpo,
em demorado gosto de bebida dupla. Reparo: a carga
das palavras, canga difícil para quem
deste modo quer fazer o mosto. A poesia
já regressa, por entre cortinados e veludos
e o quarto, a sala, os corredores, o vão
da escada, ressoam com seus passos,
afinal tão leves - a neve no soalho,
difícil no silêncio. Dizia no regresso; assim
desfaço os nós do medo: floresta e engano,
areal distante. Sorris e tudo é novo.
Sim: acabo sempre por falar de ti.
Nascido em Chaves em 1942, suicidou-se em Lisboa em 2004. Tive a honra de ser seu amigo e conviver com ele.
Guerra Carneiro foi jornalista e poeta. Talvez o último dos poetas surrealistas em Portugal.
Fica este poema:
AFINAL ACABO SEMPRE POR FALAR DE TI
Aqui de novo estou, cantiga, neste
lugar de eleição onde retomo a escrita.
É um vagar premeditado, no regresso ao corpo,
em demorado gosto de bebida dupla. Reparo: a carga
das palavras, canga difícil para quem
deste modo quer fazer o mosto. A poesia
já regressa, por entre cortinados e veludos
e o quarto, a sala, os corredores, o vão
da escada, ressoam com seus passos,
afinal tão leves - a neve no soalho,
difícil no silêncio. Dizia no regresso; assim
desfaço os nós do medo: floresta e engano,
areal distante. Sorris e tudo é novo.
Sim: acabo sempre por falar de ti.
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