quarta-feira, 7 de maio de 2014

Uma poesia do poeta espanhol Martín Lucia:

Se llamará

Se llamaba Manuela.
O Jimena. O Leonor.
Como ella quisiera,
pues era cada palabra
y, a la vez, cada letra.
Hubo días que la llamé caricia.
Otros, susurro.
De noche la llamé vida.
De día, a veces, ni la nombré.
Pero vino. Siempre vino.
También la he llamado silencio.
Recuerdo cuando la llamé dormida.
Recuerdo...
La llamé días que quedan.
Hoy la llamo melancolía.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Reponho uma poesia do poemário Amanhecer obscuro:

Bem Aventuranças

Bem aventurados os bancos
que ficam com o nosso dinheiro
e nós ficamos com as dívidas.
Bem aventurada Merkel
que dela será o reino de Bismarck.
Bem aventurado Cameron
que dele será o reino das
couves de Bruxelas.
Bem aventurado Obama
que dele serão mais de um milhão
de mortos das suas guerras imperiais.
Bem aventurado Hollande
com os seus homosexuais na Nôtre Dame
e bombas no Mali..
Bem aventurada Nato
que dela serão os anjos metálicos
por sobre o céu da Líbia.
Bem aventurados todos os
bem aventurados e os
não bem aventurados
que esperam nuvens plácidas
e açucenas de carvão
nos cabelos das mulheres.
Os robots voadores de Obama
são bem aventurados
porque matam sem saber
e fazem excrecências nos céus
logo abaixo dos deuses
como se tangessem
as liras da Roma Imperial.
Bem aventuradas as televisões
do Império e os jornais
do Império e as rádios
do Império e os blogs do Império
que deles é o reino da mentira.
Os economistas do Império
são bem aventurados
porque transformam a miséria
do mundo em dinheiro
no bolso dos seus amos.
Bem aventurados os que
morrem de fome que deles
não se farão epitáfios
e os seus ventres inchados
voarão como balões loucos
nas festas de caridade.
Mal aventurado o poeta
que ergue lírios como
se fossem sinos a tocar a rebate
que dele só serão as noites futuras.
Bem aventuradas as bem aventuranças
que delas só serão a argila
ou o pó que dela ficar.

António Eduardo Lico
Uma poesia da poetisa mexicana Karina Falcón:

Es el vaho de sentirme pequeña, de
No encontrar pertenencia o aforo en
El Olimpo; no mío el Edén y en mí
Perdido. Por el Anhelo:
Por la audacia de la serpiente.

Es la gracia de verme imperceptible,
Sentir las pequeñas implosiones y mis
Diminutas extremidades. Los delgados
Dedos; los pies justos; la boca breve y
Toda yo reducida.

Es el tumulto de sentirme a medida; en
Medida: así desorbitada. Minúscula
Espalda que se agrieta, que perfora
En la piel hoyuelos para que el perfume
Absorba esplendor y lo reconcilie
Exiguo; lo evapore en minúsculo.

Yo serpiente en reducción minúscula.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Reponho uma poesia do poemário Amanhecer obscuro:

Um Abril de Abril

 Em Abril, flores mil
Para explodirem
Com o orvalho das madrugadas
E pintarem a tristeza
Das cores que só as flores têm.
Georges, sabes, no meu país
Há tardes de Abril
Que parecem Agosto
E em Lisboa o Tejo
Esse eterno filho de Abril
Casa o seu azul baço
Com o fulgurante azul de céu
E ao longe formam
Uma só linha azul que marca Abril.
Georges, sabes, no meu país
Há flores que nascem antes do seu tempo
Como se quisessem
Vestir Abril de perfumes
E febril alegria
E as moças morenas
Cantam os hinos secretos
De todos os perfumes de Abril.
Sabes, Georges, no meu país
Abril só começa de madrugada
Como se quisesse nascer
do orvalho e tecido pelo
perfume das flores que no meu país
nascem antes do tempo.
Sabes Georges, no meu país
Abril só pode ser Abril.

António Eduardo Lico
Uma poesia da poetisa salvadorenha Beatriz Henríquez:

Un preservativo tan inmenso donde caben
Mis hijos acumulados
Un aceite sexual que revela mis orígenes
En la cabecera.

No sé de playas, banderas, filantropías,
Pero si de piedras secretas ocultas bajo la mano
Ni de republicanos, verbos o mecánica
Solo del hombre con sus temibles manos de piedra.

domingo, 4 de maio de 2014

Reponho uma poesia do poemário Amanhecer obscuro:

PPC, ou a balada de todos os bancários a que muitos chamam políticos

PPC, seja, Pedro Passos Coelho
não usa chapéu de feltro
nem conhece a estética do canto dos
canários e não distingue
um checo de um eslovaco.
Usa um pequeno rectângulo
na lapela: via-se numa foto de jornal.
Olhando com atenção, lá está:
é a bandeira de Portugal.
De uma só vez e num gesto
a la Georges Bush, PPC pendura o País.
PPC não sabe onde fica
o Forte de S.João Baptista de Ajudá
e pensa que Porto Seguro fica
onde fica o dito Partido Socialista.
PPC é bancário; bancário de um só sentido:
só recebe, e quer receber mais, e não pagar.
PPC aderiu a uma moda antiga:
políticos são todos bancários.
Trabalham para os banqueiros,
nem que tenham que usar na lapela,
bandeiras e fingirem que são inteligentes, diligentes
e piedosos. Não desisto de ver PPC
fazer versos ao padre Américo
e fazer lobbying pela santidade de Cavaco Silva,
também ele um devotado bancário.
PPC é contabilisticamente ininputável
e faz balancetes com talões do BPN nas horas de ócio.
PPC, oficia o seu múnus como um Cardeal clandestino
saído, não de refinados salões florentinos,
ordenado como foi na jsd, e com o secreto
sonho de ser canonizado pela troika
e venerado para todo o sempre
nos santuários que vão de Bruxelas a Berlim e a Washington.

António Eduardo Lico
Uma poeisa da poetisa mexicana Marcela Sois-Quiroga:

Poema de una isla imaginaria

Si existieran las sirenas
el mar no sería
ni dulce ni salado,
el aire cantaría rumbas,
bruma de rocío,
agua de lluvia
sobre las piedras.

Si existieran las sirenas
sus cabellos danzarían
en mis ojos,
acariciarían las ostras
que besan corales negros.

Si sus cabellos fueran
rizados o negros,
rubios o rojos,
les pediría su brillo
para iluminar la calva
de mi olvido.

Si su pecho fuera cálido
tendría perlas,
sólo perlas,
dulzuras de coco
en la espuma.

Si existieran las sirenas
su aroma secaría mis lamentos,
los años empolvados
de la lumbre en viento.

Si mis años fueran agua
la inmortalidad de su viaje
aseguraría que mis escamas
no sintieran el frío
de las olas congeladas.

Mas… ni el tiempo
ni mis sueños son agua,
tan sólo son el viento
de una marea,
sirena de tierra,
humedad entre ramas.