quinta-feira, 29 de março de 2012

Casimiro de Brito, é o poeta de hoje.
Nascido em Loulé, Algarve em 1938. Começou a publicar em 1957 e desde então já leva publicados mais de 40 títulos entre poesia, ficção e ensaio..
Dirigiu com António Ramos Rosa a Revista "Cadernos do Meio-Dia", e com Gastão Cruz dirigiu os Cadernos "Outubro/Fevereiro/Novembro".
Membro do grupo Poesia 61, importante movimento na Poesia portuguesa, com Gastão Cruz, Fiama Hasse Pais Brandão, Luíza Neto Jorge e Maria Teresa Horta..
Fica ese poema:


SE EU TE PEDISSE A PAZ, QUE ME DARIAS
PEQUENO INSETO DA MEMÓRIA DE QUEM SOU
NINHO E ALIMENTO? SE EU TE PEDISSE A
PAZ, A PEDRA DO SILÊNCIO COBRINDO- ME
DE PÓ, A VOZ RUBRA DOS FRUTOS, QUE ME
DARIAS RESPIRAÇÃO PAUSADA DE OUTRO
CORPO SOB O MEU CORPO?

PERDOA-ME POR SER TÃO SÓ, E FALAR-TE
AINDA DO MEU EXÍLIO. PERDOA-ME SE NÃO
TE PEÇO A PAZ. APENAS PERGUNTO: QUE ME
DARIAS SE A PEDISSE?

A SABEDORIA?
UM CAVALO DE OLHOS VERDES?
UM TRONCO DE MADEIRA PARA NELE GRAVAR O TEU NOME JUNTO AO MEU?
OU APENAS UMA FACA DE FOGO, INTRANQUILA, NO CENTRO DO CORAÇÃO?

NADA TE PEÇO, NADA. VISITO, SIMPLESMENTE, O TEU CORPO DE CINZA.
FALO-LHE DE MIM, ENTREGO-TE O MEU DESTINO. E DELE ME LIBERTO SÓ
DE PERGUNTAR: QUE ME DARIAS SE EU TE PEDISSE A PAZ E SOUBESSES
DE COMO A QUERO REVESTIDA POR UMA CROSTA DE SOL EM LIBERDADE?

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