terça-feira, 13 de março de 2012

Decidi-me hoje pelo poeta americano William Carlos Williams.
Nascido em 1883 e falecido em 1973, é um dos mias importantes poetas americanos.
Indubitavelmente associado aos movimentos do modernismo e do imagismo; rejeitaria esta última associação, Williams era filho de mãe porto-riquenha e pai inglês e exercia a profissão de médico pediatra. Comunista, sempre atendeu as pessoas humildes gratuitamente.
Fica esta poesia:

A Love Song


What have I to say to you
When we shall meet?
Yet—
I lie here thinking of you.

The stain of love
Is upon the world.
Yellow, yellow, yellow,
It eats into the leaves,
Smears with saffron
The horned branches that lean
Heavily
Against a smooth purple sky.

There is no light—
Only a honey-thick stain
That drips from leaf to leaf
And limb to limb
Spoiling the colours
Of the whole world.

I am alone.
The weight of love
Has buoyed me up
Till my head
Knocks against the sky.

See me!
My hair is dripping with nectar—
Starlings carry it
On their black wings.
See, at last
My arms and my hands
Are lying idle.

How can I tell
If I shall ever love you again
As I do now?

segunda-feira, 12 de março de 2012

Mais duas poesias do projecto poético Canto em mim sendo uma delas em francês


Elegia para uma flor morta

A obscura flor morta
pensa ainda no seu perfume
quando os insectos
procuram nas suas pétalas mortas
a fragrância que a animou.


Le silence d’une rose

Comme si tous les parfums
habitaient tes lèvres,
le silence a fermé ta bouche
comme une rose


António Eduardo Lico




O acaso desta Segunda leva-me a Dylan Thomas, o magnífico poeta galês, falecido tão prematuramente.
Nascido no País de Gales em 1914, morreu em Nova Iorque em 1953.
Publicou o seu primeiro livro em 1934 - 18 Poems. Data desta época a sua adicção à bebida, que mais tarde o levaria à morte.
Carismático, levava plateias ao delírio dizendo, com a sua voz grave, os seus poemas.
O seu lirismo intenso, e a emoção que colova na sua poesia, aproximam-no mais de uma estética romântica que modernista. Detecta-se na sua poesia a influência do suurrealismo, uma influência Bíblica, e uma influência céltica.
Fica a poesia All All And All The Dry Worlds Lever

           I
All all and all the dry worlds lever,
Stage of the ice, the solid ocean,
All from the oil, the pound of lava.
City of spring, the governed flower,
Turns in the earth that turns the ashen
Towns around on a wheel of fire.

How now my flesh, my naked fellow,
Dug of the sea, the glanded morrow,
Worm in the scalp, the staked and fallow.
All all and all, the corpse's lover,
Skinny as sin, the foaming marrow,
All of the flesh, the dry worlds lever.

II
Fear not the waking world, my mortal,
Fear not the flat, synthetic blood,
Nor the heart in the ribbing  metal.
Fear not the tread, the seeded milling,
The trigger and scythe, the bridal blade,
Nor the flint in the lover's mauling.

Man of my flesh, the jawbone riven,
Know now the flesh's lock and vice,
And the cage for the scythe-eyed raver.
Know, O my bone, the jointed lever,
Fear not the screws that turn the voice,
And the face to the driven lover.

III
All all and all the dry worlds couple,
Ghost with her ghost, contagious man
With the womb of his shapeless people.
All that shapes from the caul and suckle,
Stroke of mechanical flesh on mine,
Square in these worlds the mortal circle.

Flower, flower the people's fusion,
O light in zenith, the coupled bud,
And the flame in the flesh's vision.
Out of the sea, the drive of oil,
Socket and grave, the brassy blood,
Flower, flower, all all and all.

domingo, 11 de março de 2012

Mais duas poesias de o Canto em mim:



Esta abrupta sede

Brusca e abrupta sede
me prende em atmosferas
de húmidas paisagens
que desenho e canto
no vértice da tua ausência

O azul do céu azul

O azul do céu é azul
quando o céu é azul.
Quando o céu não é azul
o azul do céu não é azul.
O azul do céu quando
o Céu é azul não é bom
para os filósofos;
é só azul, sem filosofias;
e de metafísica
apenas existe a vaga
noção que tenho do azul
do céu, quando é azul.

António Eduardo Lico

Antonio Machado é o poeta de hoje.
Nascido em Sevilha em 1875 e falecido em França em 1939, fugitivo do triunfo do franquismo na guerra civil de Espanha.
Pertence à geração do Modernismo em Espanha. Integrante da geração de 98, Antonio Machado assistiu com desânimo e desencantamento à derrota da Espenha nas guerras coloniais travadas com os USA e em que a Espenha perdeu Cuba, Puerto Rico e as Filipinas.
Autores como Unamuno, Pio Baroja, animaram esta fase da vida pública em Espanha. Machado balançava entre as teses defendidas entre outros por Unamuno e por outro lado foi enormemente influenciado pelo grande poeta nicaraguense, Ruben Dario.
As preocupações éticas e sociais dos escritores de 98 conduziram Antonio Machado a aproximar-se das ideais do grupo.
A multiplicidade das influências patentes na obra poética de Antonio Machado, moldam a grandeza e a coerência do seu projecto poético, e a forma como via o cruzamento da poesia com a realidade, sobretudo a realidade das pessoas comuns do povo.
Fica este poema:


El limonero lánguido suspende
una pálida rama polvorienta,
sobre el encanto de la fuente limpia,
y allá en el fondo sueñan
los frutos de oro...
Es una tarde clara,
casi de primavera,
tibia tarde de marzo
que el hálito de abril cercano lleva;
y estoy solo, en el patio silencioso,
buscando una ilusión cándida y vieja:
alguna sombra sobre el blanco muro,
algún recuerdo, en el pretil de piedra
de la fuente, dormido, o, en el aire,
algún vagar de túnica ligera.
En el ambiente de la tarde flota
ese aroma de ausencia.
que dice al alma luminosa: nunca,
y al corazón: espera.
Ese aroma que evoca los fantasmas
de las fragancias vírgenes y muertas.
Sí, te recuerdo, tarde alegre y clara,
casi de primavera,
tarde sin flores, cuando me traías
el buen perfume de la hierbabuena,
y de la buena albahaca,
que tenía mi madre en sus macetas.
Que tú me viste hundir mis manos puras
en el agua serena,
para alcanzar los frutos encantados
que hoy en el fondo de la fuente sueñan...
Sí, te conozco, tarde alegre y clara,
casi de primavera.

sábado, 10 de março de 2012

Carlos Paredes, filho de Artur Paredes e neto de Gonçalo Paredes, certamente escreveu muitas poesias dedilhando as cordas da sua guitarra.
Fica o esplendor destas Variações em Ré maior:


Mais dua poesias de O Canto em Mim. Praticamente escrevi todas as poesias deste projecto poético entre 2007 e 2008.



A Esfinge de ébano

Da esfinge de ébano,
a dos doces lábios
colhi apenas
amarga flor de silêncio

Esta mensagem que me chega

Eis como tudo começa:
de Hermes recebi a mensagem
que já me estava destinada

Recebo-a com a indiferença
gelada dos que não esperam.
Os deuses já conhecem todas
as mensagens e Hermes
é apenas o velado mensageiro.


António Eduardo Lico