sexta-feira, 22 de junho de 2012

O poeta de hoje é Carlos Drummond de Andrade.
Nascido em 1902 em Itabira, Minas Gerais. Estudou e concluiu Farmácia; mas a sua vocação estava na escrita. Fundou Revista com outros escritores. Apesar da vida efémera foi um veículo poderoso de divulgação e afirmação do modernismo em Minas Gerais.
Faleceu no Rio de Janeiro em 1987.
Diga-se que o modernismo de Drummond de Andrade está ligado a uma aproximação objectiva e concreta do real, distinguindo-se da vertente mais subjectiva e lírica.
Fica este poema:


VERBO SER

Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.

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