quarta-feira, 14 de maio de 2014

Reponho uma poesia do poemário Sombras luminosas:

Há muito tempo...

Há muito tempo, iniciei uma poesia
que começava assim:
“As largas Avenidas do Outono...”.
Hoje, sempre há um hoje,
sinto que deveria ter começado assim:
“As largas Avenidas, no Outono”...
Porque é que hoje eu sei
que o Outono não tem Avenidas?
Nem sequer vielas, ou estátuas.
Se hoje fosse ontem
começaria o poema assim:
“As largas Avenidas do Outono...”

António Eduardo Lico

8 comentários:

  1. Adorei essa dialética! E não há poesia sem dialética, sem ontem, hoje... Das pequenas coisas, aparentemente banais, nascem os mais belos poemas.
    Abraços, caro amigo,

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    1. É assim mesmo caro José Carlos. Mesmo as pequenas coisas podem fazer acontecer poesia.
      Abraços caro amigo.

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  2. Siempre hay un mañana y un ayer...

    Beso

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  3. Ontem, hoje, ou amanhã o outono será sempre ele, mas o poeta sempre se modifica!

    beijos

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  4. gostei.
    hoje amanhã ou depois podemos sempre escrever e lembrar o outono.
    beijinho

    :)

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