domingo, 15 de julho de 2012


O poeta de hoje é Manuel Maria Barbosa du Bocage.
Nascido em 1765 em Setúbal e falecido em1805 em Lisboa, Bocage esteve no Oriente, Índia e Macau como militar. No regresso a Lisboa, adere à Nova Arcádia, que bem depressa se torna alvo das suas críticas, acabando por se expulso do grupo. Em 1791 publica as suas Rimas, que assenta a sua reputação como poeta. Em 1797 é preso na prisão do Limoeiro; em 1799 regressa à liberdade.
Bocage combina na sua poesia elementos neoclassicistas e pré-românticos e é no soneto que alcança o maior brilho.
Fica este soneto:


Já se afastou de nós o Inverno agreste
Envolto nos seus húmidos vapores ;
A fértil Primavera , a mãe das flores
O prado ameno de boninas veste :

Varrendo os ares o subtil nordeste
Os torna azuis : as aves de mil cores
Adejam entre Zéfiros, e Amores,
E torna o fresco Tejo a cor celeste ;

Vem, ó Marília, vem lograr comigo
Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo :

Deixa louvar da corte a vã grandeza:
Quanto me agrada mais estar contigo
Notando as perfeições da Natureza !

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